Andre Dusek/Estadão
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STF vai analisar prisão após segunda instância em 2019, diz Marco Aurélio

'Reanálise dessa matéria ocorrerá em 2019, porque avizinhando-se as eleições não é conveniente que se ocorra no momento presente', disse o ministro

Fabio Serapião e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2018 | 13h49

BRASÍLIA - O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira, 24, que a Corte vai reanalisar a possibilidade de prisão após 2ª instância em 2019. De acordo com ele, o tema não será pautado ainda neste ano devido às eleições presidenciais.

"A reanálise dessa matéria ocorrerá em 2019, porque avizinhando-se as eleições 2018 não é conveniente que se ocorra no momento presente", disse Marco Aurélio num seminário sobre colaboração premiada realizado em Brasília pela Polícia Federal. Marco Aurélio é relator de três ações que tratam da possibilidade de prisão após condenação em segundo grau.

A fala do ministro vai na mesma direção do que tem dito o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, responsável pela pauta do tribunal. Empossado na presidência no último dia 13, Toffoli afirmou na segunda-feira passada que não irá colocar para julgamento em 2018 as ações sobre execução antecipada da pena.

“Este é um tema que não será pautado esse ano, inclusive com a concordância do relator, ministro Marco Aurélio. Discutiremos no ano que vem um momento adequado para colocar o tema em pauta”, disse o presidente na ocasião.

Ao falar sobre o tema nesta segunda, Marco Aurélio apontou que o placar da votação deve ser revertido, uma vez que o ministro Gilmar Mendes, antes favorável à prisão após 2ª instância, agora mudou sua posição.

"Ante o fato de outros colegas terem retomado um entendimento pretérito, então aquela maioria de 6 votos a 5 ela passará a ser em sentido inverso, com a evolução de ótica do ministro Gilmar Mendes", disse o ministro.

Antecessora de Toffoli no comando da Corte, ministra Cármen Lúcia sofreu pressão dentro e fora do Supremo para levar o tema para apreciação do plenário. O auge foi gerado pela prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro confirmada em segundo grau, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no caso do tríplex no Guarujá.

Foi justamente seu pedido preventivo de liberdade que, no início de abril, levou o STF a discutir a questão. Na ocasião, por 6 votos a 5, a Corte negou o habeas corpus de Lula, preso dois dias depois do julgamento no tribunal. 

O entendimento que possibilita que réus sejam presos após julgamento em segundo grau da justiça foi firmado em 2016. As ações sobre o tema foram julgadas de forma cautelar, e ainda pendem as análises de mérito.

Seminário. O ministro foi convidado pela PF para abrir o seminário sobre delação premiada pelo fato de ter sido o relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade, ADI 5508, proposta pelo Ministério Público Federal e que questionava o poder da Polícia Federal de assinar acordos de colaboração.

Favorável a atuação da polícia nas colaborações, o ministro disse que a decisão da corte não significa vitória da polícia ou derrota do Ministério Público, mas sim uma vitória da sociedade. "Chegou-se a uma só voz, o que é muito difícil no colegiado, homenagem ao interesse público", disse Marco Aurélio que votou possibilidade da PF negociar e assinar acordo de colaboração.

Para o ministro, o desejável é a plena cooperação entre os órgãos envolvidos "quer no procedimento estampado no inquérito ou no processo crime". "Queda de braço, entre policia e MP, não interessa à sociedade brasileira", afirmou o ministro.

Ao falar sobre o tema, o ministro também se posicionou contrário a posição da 2ª turma do STF em não aceitar denúncia baseada apenas na fala dos delatores. No entendimento de Marco Aurélio, embora não sirva para condenar, a fala do delator revela indícios de autoria de determinado crime e, portanto, pode servir ao recebimento da denúncia.

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