SP quer reduzir custeio em R$ 2,7 bi até 2014

Para garantir que investimentos não sejam afetados pela crise, Alckmin pede aos secretários cortes em itens como água, energia e telefonia

GUSTAVO URIBE / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h05

Em um cenário de crise mundial, que começa a afetar a economia brasileira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) pretende reduzir em R$ 2,7 bilhões as despesas de custeio até o final de sua gestão à frente do Palácio dos Bandeirantes. O corte atingirá a despesa com água, energia, telefonia e combustível, entre outros itens, e tem como objetivo assegurar a capacidade de investimento do governo do Estado até 2014, ano em que o tucano deverá disputar a sua reeleição.

Em 2012, ano de disputa eleitoral para a Prefeitura de São Paulo, a economia deve ser de R$ 900 milhões, o que representa 5% dos R$ 18 bilhões previstos para esses tipos de gastos no Orçamento do Estado aprovado pela Assembleia Legislativa para o próximo ano.

"A preocupação é que a crise mundial afete os investimentos para 2012", ressaltou um dos auxiliares diretos do governador de São Paulo, segundo o qual a economia de recursos vai afetar todas as secretarias estaduais.

Em reunião no último final de semana, o governador delegou a cada secretaria a escolha de um assessor para acompanhar de perto a economia nessas áreas.

No conjunto, a coordenação do programa de cortes ficará por conta da Secretaria de Gestão Pública, que deverá produzir relatórios mensais sobre os avanços na redução dos custos da máquina pública. No início de abril, o governador de São Paulo já havia pedido a todo o seu secretariado que lhe entregasse um cronograma de cortes em gastos de custeio para os quatro anos de sua gestão.

Ajuste em 2012. A meta inicial era economizar anualmente entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão - valor semelhante deveria ser aplicado, em especial, no campo social. Seria uma tentativa de recuperar espaço em uma área habitualmente dominada pelo PT em São Paulo.

O esforço do Palácio dos Bandeirantes para assegurar a capacidade de investimento não deve, contudo, impedir a implantação de um novo programa de ajuste fiscal para 2012.

O governador tucano ainda não definiu um montante, mas a expectativa é de que, além, do já previsto, seja anunciado em janeiro um novo contingenciamento no orçamento aprovado pela Assembléia para o próximo ano, de R$ 156,6 bilhões.

No início de 2011, período marcado pelo aquecimento da economia brasileira, o Palácio dos Bandeirantes congelou R$ 1,5 bilhão de um orçamento de R$ 140,6 bilhões para este ano. A partir de maio, os recursos foram liberados de maneira gradual, sobretudo os voltados aos investimentos.

"Os investimentos não devem ser muito afetados em um novo contingenciamento, que atingirá apenas o custeio", antecipou um dos integrantes do governo estadual.

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