'Sou solteiro e feliz', diz Kassab; Marta lamenta inserção na TV

Em debate na Record, petista diz que mandou tirar do ar assim que viu propaganda sobre a vida do prefeito

Andréia Sadi e Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

19 de outubro de 2008 | 23h00

A propaganda eleitoral da campanha petista que questionou a vida pessoal do prefeito e candidato do DEM, Gilberto Kassab, tomou boa parte do início do debate na Rede Record neste domingo, 19. A adversária Marta Suplicy (PT) tentou se explicar, voltou a dizer que nada sabia, culpou os marqueteiros e afirmou: "Assim que eu vi, disse para tirar do ar". Kassab criticou a inserção petista na TV e a classificou de "sórdida". "Sou solteiro e sou feliz", rebateu o prefeito. A propaganda que questionava se Kassab era casado ou tinha filhos entrou no ar na semana passada, mas ficou pouco tempo no ar devido a protestos. No geral, os candidatos voltaram a focar em ataques e deixaram as propostas para a cidade de lado.     Veja também:Reviravolta é difícil em SP, diz cientista política  Enquete: Quem se saiu melhor no debate?  Blog: Leia os principais momentos do debate na Rede Record  Veja galeria do debate na Rede Record  Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo 'Eu prometo' traz as promessas de Marta e Kassab Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras Confira o resultado eleitoral nas capitais do País  Ao ser questionada sobre a confusão da propaganda, Marta afirmou que "ficou muito espantada com o que aconteceu". "Essa pergunta foi feita junto com diversas outras que foram testadas por marqueteiros e não causaram nada. Ninguém viu malícia. O que fizeram depois, foi outra coisa." Segundo ela, "a grande celeuma que se criou em torno da questão deveu-se ao fato de as perguntas dizerem respeito à trajetória do candidato". O candidato do DEM criticou a campanha do PT, que classificou como "sórdida" e afirmou que os companheiros de partido de Marta criticaram a propaganda, que perguntava sobre o estado civil de Kassab. Ele citou nomes como o atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, o senador Aloizio Mercadante, o ex-ministro José Dirceu, "o seu ex-marido Eduardo Suplicy e até mesmo o presidente Lula". Em seguida, Marta respondeu: "Eu sinto que essa propaganda tenha molestado ao candidato e a outras pessoas do meu partido. Foi uma situação constrangedora e doída". Cheque do metrô Kassab afirmou que Marta "fica estressada" com os cheques que sua gestão tem enviado ao governo do Estado para investir no Metrô. A campanha petista pediu à Justiça na semana passada a impugnação da candidatura de Kassab por causa de um "checão" entregue a Serra em cerimônia oficial. Ele é acusado de usar a máquina pública para fazer propaganda.  "Você está muito incomodada com os cheques porque ficava dizendo que nós não íamos entregar, e quando eles acontecem, você fica estressada. Nós não fazemos despesa sem ter recurso em caixa", disse.  A petista criticou ainda o fato de o atual prefeito não ter entregado nenhum corredor de ônibus durante sua gestão. "Você critica meus corredores, mas que corredor você fez? Você prometeu cinco e não fez nenhum. A população sofre e você não fez porque não era sua prioridade. Porque você não está nem aí para as pessoas", afirmou. Marta e as taxas Kassab criticou a ex-prefeita e duvidou de sua promessa de não aumentar mais as taxas, caso ela seja eleita. A petista disse que em todo debate ele a faz "pagar por esse equívoco". O prefeito finalizou: "Sua obsessão com taxas era muito grande, e não é só no debate que você terá de explicar isso, Marta, mas durante toda a sua vida. Isso incomodou muito os paulistanos". Marta incentivou o prefeito a mostrar quais são as taxas que ele afirma que ela criou em São Paulo. "Quanto às taxas Marta, aguardem que eu vou pegar com a minha assessoria a lista, porque é muito grande. Tinha até taxa de coxinha, gente", afirmou Kassab, arrancando risos da platéia. Em outro momento, Kassab voltou a indagar Marta sobre as taxas criadas durante a sua gestão na Prefeitura e ironizou: "Vem aí a taxa da internet", sobre o projeto da petista de internet gratuita à população. Marta fez mea-culpa ao dizer que cometeu "alguns erros, sim" durante sua gestão, mas que trabalhou com "muita dureza" e prometeu desonerar "o povo paulistano". "Eu vou fazer, eu me comprometo. A primeira coisa é tornar o ISS extinto", disse.  Marta questionou Kassab sobre o pedágio urbano. Ele respondeu que não criará o tributo e completou: "Ela é traumatizada com taxas. Eu quero registrar que ela cometeu tantos equívocos que ela teve até apelido, que foi dado por vereadores e como é conhecida até hoje", disse, sem citar o "Martaxa".  O prefeito disse que discorda do vereador, embora seja do seu partido e alfinetou: Você não discordou do mensalão, nunca vi crítica sua a Delúbio (Soares) e (José) Dirceu", afirmou Kassab, citando petistas envolvidos no esquema de pagamento de dinheiro a parlamentares em troca de projetos do governo aprovados.  Confronto entre policiais Kassab criticou a presença de parlamentares no confronto entre policiais civis e militares na última quinta-feira. Segundo ele, o líder da Força Sindical, Paulinho da Força, "já organizava e fazia manifestações a favor da greve em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo". Em resposta, a petista Marta Suplicy disse considerar absolutamente normal a presença de sindicalistas neste tipo de manifestação.  Sobre a acusação do governador José Serra de que o confronto teria sido organizado também pelo PT, Marta disse que ficou "pasma" e voltou a dizer que o governador tem incapacidade em negociar. Kassab criticou e disse que a gestão de Marta não soube atender a servidores, como na segurança.  Cheque-despejo Marta acusou o prefeito de ter uma política habitacional do "cheque-despejo". "O cheque-despejo na minha gestão tratava as pessoas muito bem, e não com gás lacrimogêneo como você. Tratava as pessoas com muita dignidade", disse. Marta citou um projeto que ela tinha para construir conjuntos habitacionais na favela do Jardim Edith, que já estava incluído no Certificado de Potencial Adicional de Construção (Cepac), e que não foi levado para frente por Kassab. "Em relação ao Cepac, no meu governo tem prioridade, Marta. E nós demos prioridade à Ponte Estaiada, que não tinha projeto quando assumimos. E demos prioridade para o metrô. Essa semana foram R$ 198 milhões para o metrô da região da Água espraiada. E depois disso, vem o prolongamento da Av. Roberto Marinho", disse Kassab.

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