'Sou inocente e não tenho nada a ver com a morte de Dorothy'

Após quase um ano preso, Regivaldo Galvão foi solto na quarta-feira por ordem do STF; fazendeiro diz que foi alvo da mídia

CARLOS MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO / BELÉM, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h07

O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, condenado a 30 anos pela morte da missionária Dorothy Stang, disse que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, que determinou sua soltura, fez justiça.

Galvão foi solto na tarde de quarta-feira. Ao cruzar o portão do Centro de Recuperação Regional de Altamira (PA), Galvão ajoelhou-se na calçada e fez uma oração. Ele estava preso desde setembro do ano passado.

"Sou inocente e não tenho nada a ver com esse crime. A Justiça do Pará me condenou e impediu que eu recorresse em liberdade. A decisão do ministro do STF repõe a justiça e me dá a oportunidade de continuar lutando para provar o que estou dizendo", afirmou mais tarde, por telefone, ao Estado. "Passaram por cima do STF, que é a Corte máxima do Brasil."

Galvão disse que sua vida foi destroçada após o envolvimento de seu nome no crime. "Minha mulher e meus filhos sabem o que temos sofrido, mas nunca perdemos a fé em Deus de que tudo seja esclarecido".

Ele afirmou ainda que é réu primário e tem bons antecedentes, mas que a pressão da mídia sobre o Judiciário paraense foi muito forte e acabou "pagando o preço de ficar numa prisão superlotada". Galvão negou a intenção de fugir do País e de ameaçar testemunhas, enfatizando que sempre atendeu os chamados da Justiça.

O advogado Jânio Siqueira, defensor de Galvão, declarou que o STF entendeu que a prisão dele foi baseada no fato de o tribunal do júri haver concluído pela culpa provisória do acusado, esquecendo que a sentença condenatória só poderia ter sido executada quando não houvesse mais recursos pendentes da defesa contra a condenação.

O promotor Edson Souza, que atuou no júri popular, lamentou a decisão do STF de soltar Galvão. Ele disse que os tribunais superiores haviam negado por três vezes o pedido de liberdade, mas o ministro Marco Aurélio Mello entendeu que todos estavam errados. E disparou: "Será, então, que só o ministro está certo?" O Superior Tribunal de Justiça havia negado o pedido de soltura. Entidades de direitos humanos e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) receberam com revoltada a decisão de Mello. Segundo o coordenador da CPT de Belém, padre Paulo Joanil, a liberdade de Galvão deixou a todos "indignados".

Assassinato. A missionária americana Dorothy Stang foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos. Irmã Dorothy, como era conhecida, foi responsável pela criação do primeiro programa de desenvolvimento sustentado da Amazônia, em Anapu (PA). Com o projeto, vários fazendeiros e madeireiros tiveram suas terras confiscadas pelo Incra.

Além de Galvão, outros quatro acusados pelo crime foram julgados e condenados: Vitalmiro Bastos Moura, Amair Feijoli da Cunha, Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.