Soninha é hostilizada por colegas na Câmara

As acusações da vereadora e candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PPS, Soninha Francine, reverberaram ontem pelos corredores da Câmara Municipal, que segundo ela aprova projetos em troca de cargos, favores e até propina. Antes de ir a plenário, a candidata foi acuada na porta do banheiro feminino da Casa pela vereadora Claudete Alves (PT). "Você vai ter que provar!", gritou a vereadora, que ainda a acusou de perpetrar uma jogada eleitoral. A discussão terminou quando Soninha entrou no banheiro, amparada por três PMs.Parte do bate-boca foi filmada pelo vice de Soninha, o cineasta João Batista de Andrade. Os vereadores Antônio Carlos Rodrigues (PR) e Milton Leite (DEM) intervieram alegando que Claudete estava exaltada. Leite ainda acusou a reportagem de tentar entrar no banheiro feminino para acompanhar a discussão entre as vereadoras. No entanto, a discussão foi toda acompanhada do corredor que dá acesso ao plenário.A candidata permaneceu mais de 20 minutos no banheiro e só voltou ao plenário escoltada por policiais que fazem parte do quadro de PMs da Casa. No púlpito, o clima era de resposta às declarações feitas pela candidata na sabatina do Grupo Estado realizada na última sexta-feira - raiz do imbróglio na Casa. Na ocasião, ela disse que parlamentares das casas legislativas brasileiras - entre elas a Câmara Municipal - votam a favor de um projeto "em função do que ficar combinado que eles receberão em troca". "No pior dos mundos, recebe-se dinheiro", declarou.O vereador Farhat (PTB) disse em seu discurso não acreditar que Soninha tenha "baixado o nível de sua campanha para levantar o Ibope". Gilson Barreto, do PSDB, foi ainda mais incisivo. "Eu precisei convencer alguém de maneira espúria para aprovar um projeto? E alguém aqui precisou de artimanhas para aprovar um projeto? É inconcebível", discursou. "Não podemos passar por tanto sacrifício, e um ou outro vem tentar enlamear essa Casa."Quando Carlos Apolinário (DEM) subiu à tribuna, já no fim da sessão, Soninha pediu aparte. Apolinário discursava sobre o sistema de aprovação de projetos na Casa e emendou em referência direta às profissões da candidata: "Alguém tem capacidade para ser jornalista, mas não para ser vereador. Alguém tem capacidade de ser comentarista de futebol, mas não para ser vereador."Soninha respondeu com críticas ao método da Casa, e reafirmou que a base para a aprovação de projetos é o acordo político, sem debates sobre a relevância dos temas. "A Casa funciona assim e não vai mudar", rebateu Apolinário. A candidata ainda defendeu seu ponto de vista, mas se retirou da discussão. A sessão logo foi encerrada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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