Tiago Queiroz|Estadão
Tiago Queiroz|Estadão

Sônia Guajajara diz que foi 'oportunismo' Mourão ter se declarado indígena

Vice de Guilherme Boulos participou de atos de campanha ao lado do presidenciável no Recife

Kleber Nunes, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 22h22

RECIFE -- Única indígena a disputar as eleições 2018 em uma chapa presidencial este ano, a vice de Guilherme Boulos (PSOL), Sônia Guajajara (PSOL), disse que foi um ato de “oportunismo” do general Hamilton Mourão (PRTB) ter se declarado índio no pedido de candidatura registrado na Justiça Eleitoral. No início de agosto, no primeiro ato como candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), o militar causou polêmica ao afirmar que o brasileiro herdou " a indolência dos indígenas e a malandragem dos africanos".

“Ele cometeu uma ofensa e um racismo muito grande, talvez seja uma forma de querer reparar. Ele ofendeu negros e indígenas e logo depois se assume (índio)?”, questionou Sônia nesta quarta-feira, 22, no Recife, onde cumpre agenda de campanha com Boulos. A candidata ponderou que muitos indígenas, por causa do processo de colonização do Brasil, “tiveram que ter suas identidades negadas”. “Mas tem muito oportunismo, tem muito oportunista querendo aproveitar este momento (de eleições). Não posso garantir que ele é indígena”, afirmou.

Minuto Estadão -  O papel de um vice


Na visita ao Recife, Boulos priorizou encontros com movimentos sociais e militantes no Recife, repetiu ataques ao governo Michel Temer e ao poder judiciário e prometeu ações para a convivência com o semiárido a partir da revisão do projeto da Transposição do São Francisco. Depois de uma manhã dedicada a entrevistas a veículos locais, Boulos e Sônia almoçaram em mercado público na área central do Recife com membros de movimentos sociais.

Acompanhados pela candidata ao governo de Pernambuco, Danielle Portela (PSOL) e de candidatos a deputados estaduais, os presidenciáveis receberam da Rede Nacional da Primeira Infância um documento com diretrizes sobre os temas prioritários para o desenvolvimento infantil.

No final da tarde, se dirigiram ao centro do Recife de onde sairia uma passeata. O ato, porém foi cancelado após Boulos se sentir mal, segundo a assessoria do PSOL em Pernambuco. Recuperado três horas depois, o presidenciável encerrou sua passagem pelo Recife em um comício no centro comercial.

No comício, Sônia foi recebida por integrantes da tribo indígena Xucuru e participou da celebração do Toré, dança indígena executada pelos índios que têm origem em Pesqueira (PE). 

O ato reuniu um público formado em sua maioria por militantes do PSOL e do PCB, o candidato fez um discurso carregado de críticas a Temer, aos adversários Henrique Meirelles (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL) e à Justiça.

“Meirelles nos chama de vagabundo, mas é fácil falar sem viver o problema, difícil é chegar no fim do mês e ter que escolher entre pagar o aluguel e colocar comida na mesa. Dia 1° de janeiro, vamos despejar toda essa quadrilha do Temer”, afirmou. 

Como um dos primeiros atos caso seja eleito presidente, Boulos disse que revogará o aumento do judiciário. “Vamos enfrentar os privilégios de juízes, promotores e dos políticos como Bolsonaro, que além de tudo quer ganhar no grito”, disse.

 

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