Marcio Fernandes/AE - 29.02.2012
Marcio Fernandes/AE - 29.02.2012

Sonho da Presidência está adormecido, diz Serra

Pré-candidato tucano à Prefeitura de SP afirma que plano de virar presidente ainda não morreu, mas que, se for eleito prefeito, vai cumprir o mandato até o fim, em 2016

Bruno Boghossian, do estadão.com.br, e Gustavo Uribe, da Agência Estado

01 de março de 2012 | 03h06

Em sua primeira entrevista como pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) afirmou que cumprirá os quatro anos de mandato se for eleito, mas admitiu que mantém o sonho de disputar a Presidência da República no futuro.

"A decisão (de participar da eleição municipal) implica não ser candidato em 2014. Pelo menos até 2016, o sonho (de disputar a Presidência) está adormecido", disse. "Mas o sonho pode permanecer. Tem muito tempo pela frente e estou no auge da minha energia", afirmou o tucano, que completa 70 anos no dia 19.

Serra prevê que seus adversários na campanha deverão usar contra ele o fato de ter renunciado à Prefeitura em 2006 para disputar o governo do Estado - apesar de ter registrado em cartório um documento em que prometia cumprir o mandato.

O ex-governador não confirmou se pretende se candidatar ao Palácio do Planalto em 2018, mas desconversou, quando o presidente estadual do PSDB, Pedro Tobias, brincou que ele deveria ser prefeito da capital por oito anos (até 2020, portanto). "Isso é por conta dele (Tobias)."

Pela primeira vez desde que foi derrotado na disputa presidencial de 2010, Serra falou abertamente sobre seus planos políticos. No entanto, evitou analisar os quadros do PSDB para 2014, em especial a possibilidade de uma candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Ele é um dos nomes. Temos também o (governador de Goiás) Marconi Perillo, o (senador) Álvaro Dias, o (senador) Aloysio Nunes Ferreira e até mesmo o governador Geraldo Alckmin", disse.

Efeito Kassab-PT. Ao entrar na disputa às vésperas da data original das prévias de seu partido, Serra admitiu que foi convencido a se candidatar depois de o prefeito Gilberto Kassab (PSD) ter aberto negociações para formar uma aliança com o PT. "Esse foi um dos fatores", afirmou.

O tucano se recusou a dar uma nota à gestão de Kassab - seu sucessor na Prefeitura da capital. "O prefeito Gilberto Kassab fez coisas boas, que podemos manter e melhorar. O que estiver mais problemático, podemos consertar."

Serra também evitou criticar o PT e seu pré-candidato na disputa municipal, Fernando Haddad, a quem disse "respeitar".

Apesar de ter escrito que "o futuro do País está em jogo" na carta que entregou na terça-feira à direção do partido, o ex-governador negou que pretenda dar um tom nacional à disputa ou que a eleição de outubro seja um terceiro turno da presidencial. "A polarização não é um elemento-chave na eleição de São Paulo. A população quer discutir seus problemas", afirmou.

O ex-governador disse, no entanto, que está "disposto para debater os temas nacionais" durante a campanha pela Prefeitura.

Rejeição. Serra atribuiu parte da rejeição dos eleitores paulistanos a sua candidatura, que chega ao patamar de 30% segundo pesquisas de opinião divulgadas nos últimos meses, a sua rivalidade com os petistas. "Como fui candidato à Presidência em 2010, eu sou super-identificado com o 'não-PT'", avaliou. "Muita gente também me vê com um papel nacional."

O ex-governador minimizou o mal-estar provocado pelo adiamento da data das prévias do PSDB por três semanas. O Estado apurou que Serra queria a transferência da disputa para o dia 25, o que acabou ocorrendo.

"Não pedi que fosse dia 25", disse. "Programamos visitas a integrantes do partido em toda a cidade. Isso exige tempo." A alteração na data da consulta aos filiados rachou a executiva municipal do partido e provocou irritação nos outros pré-candidatos, José Aníbal e Ricardo Tripoli.

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