Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Solução para economia não precisa de 'prêmio Nobel', diz Arminio Fraga

Em bate-papo na internet, economistas ligados ao PSDB fazem avaliação negativa da atual gestão e afirmam que retomada do crescimento pode ocorrer com medidas básicas

Elizabeth Lopes, Agência Estado

26 de setembro de 2014 | 09h40

São Paulo - Economistas ligados ao PSDB fizeram um diagnóstico preocupante da condução da economia brasileira e afirmaram que medidas básicas poderiam ser adotadas na política econômica atual. A avaliação foi feita durante um hangout, tipo de bate-papo, promovido na noite dessa quinta-feira, 25, pela equipe de campanha do candidato do PSDB à Presidência da Republica, Aécio Neves, no site 'Conversa com Brasileiros'. O encontro reuniu economistas como o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, o economista Mansueto Almeida e o professor da FGV Samuel Pessôa, e o ex-secretário de política econômica Marcos Lisboa, que atuou na primeira gestão do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva.

Fraga, que é o principal colaborador econômico de Aécio Neves e foi indicado para assumir a pasta da Fazenda em um eventual governo tucano, disse na conversa com internautas que, apesar do cenário de crise, a solução para a economia brasileira não exige nenhum Prêmio Nobel e pode ser corrigida com coisas básicas. "É nisso que eu acredito, mas para que isso ocorra, é preciso mudar (a atual gestão da presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff)". E alertou: "Se nós não mudarmos (o governo), infelizmente a situação tende a piorar."

Lisboa lamentou, no hangout, que a economia esteja no centro das discussões dessas eleições presidenciais. "Eu não tenho vinculação partidária, não estou vinculado a nenhuma campanha", frisou, numa resposta às informações veiculadas na imprensa de que estaria ajudando na formulação do programa da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva. "Tínhamos um sonho, há dez anos, que a economia deixasse de ser relevante, que o País tivesse arrumado por vários governos e partidos, é com tristeza que vemos que ela deu errado, deveríamos estar discutindo questões como políticas públicas, educação, saúde. Infelizmente voltamos a discutir economia pelo fracasso dos últimos anos, a economia deveria ser a base para discutir o que importa."

O ex-secretário de política econômica afirmou que o País está vivendo hoje um retrocesso, uma volta ao passado onde não vale regra e nem mérito, mas o incentivo concedido a setores 'selecionados' (pelo governo). "Estamos hoje pagando o preço desse retrocesso, semelhante ao de 1974, corrido após o choque do petróleo, mas com uma diferença, hoje vivemos em uma democracia." Na sua avaliação, "infelizmente a credibilidade da política fiscal hoje no Brasil está comprometida" e as intervenções na economia afetaram a capacidade de investimento no País. Daí a necessidade de estabelecer uma agenda que implique em justiça econômica.

O professor da FGV salientou que para se retomar o crescimento no Brasil, seria preciso voltar para as políticas do governo FHC, com a construção de regras. "Voltar para onde estávamos antes dessa mudança trágica, desse intervencionismo desastrado". Segundo Samuel Pessôa, o atual governo permitiu que a inflação ficasse no teto da meta por muito tempo, o que levou o sistema a deixar de funcionar. "As pessoas que tomam decisão de investimento não sabem mais como o sistema funciona, fica difícil prever o futuro e com isso, a economia vai tendo comportamento ruim."

Para Mansueto Almeida, outro colaborador econômico do tucano Aécio Neves, depois da crise de 2008, o governo petista "fez uma administração terrível na política macroeconômica", resultando em problemas como inflação muito alta, gasto crescendo com relação ao PIB, carga tributária elevada, superávit primário próximo de zero, excesso de intervencionismo na economia e juros altos. E tudo isso não trouxe aumento de investimento ou de crescimento, muito pelo contrário, "os empresários estão pessimistas, adiando os investimentos." E defendeu a indicação do nome do ex-presidente do BC da gestão FHC para o ministério da Fazenda em uma eventual gestão de Aécio Neves: "Me preocuparia menos se tivesse alguém lá na frente como o Armínio Fraga, pois, ele faria o que é necessário de olhos fechados."

Nas considerações finais da conversa de pouco mais de uma hora com os internautas, o ex-BC reforçou o cenário discutido pelos economistas, dizendo que existe uma situação hoje de oportunidades perdidas. "Por trás disso está a constatação de que nosso Estado está ocupado, está distorcido por interesses partidários, às vezes privados, e isso é muito grave."

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