Solidariedade: 'Se depender de mim, vamos para a oposição', diz Paulinho

Entrevista com o deputado federal Paulo Pereira da Silva, fundador do novo partido

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h22

Por que o partido foi criado?

Um grupo de parlamentares insatisfeitos com seus partidos me procurou no final do ano passado para organizar um novo partido. A outra razão é que hoje você não tem mais partido defendendo causas no Congresso. Trabalhamos com a ideia de defender os interesses de trabalhadores, da indústria, do comércio, os aposentados.

Houve questionamentos no TSE sobre fraudes no processo de criação. O que ocorreu?

É uma coisa natural. Para criar um partido você coleta assinaturas nas ruas, nas fábricas, no comércio - e hoje não há procedimento único nos TREs e cartórios. Um exige o dia em que se tirou título, outro o dia em que votou. No meu caso, tinha muitos aposentados, 90% não têm mais a mesma assinatura de quando tirou o título, tem gente que assina pra se livrar de você e faz só um rabisco. O cartório publica a lista e dá 5 dias para impugnar.

O partido será legenda de aluguel, que vende tempo de TV?

Estive com alguns governadores e começou a sair na mídia essa ideia de que estávamos vendendo tempo de TV. Eu parei de ir. Estamos querendo criar um partido para ter independência, mas claro que em muitos Estados não vamos ter candidato e podemos apoiar alguém. Isso se decide depois.

O Solidariedade é de esquerda, direita ou centro?

Temos uns caras de direita, eu sou de esquerda, temos companheiros que estão em partidos de direita, mas sempre tiveram comportamento correto. Queremos defender os interesses do povo, dos trabalhadores, do setor produtivo. O setor produtivo financia os deputados, mas não manda nada lá. Tem setores quebrando, como vestuário. Ninguém fala nada.

Será governo ou oposição?

Temos uma certa independência, não é oposição. A maioria vem da base, mas temos independência para votar no que acharmos é importante e contra o que acharmos que não é. Sou sindicalista e venho há algum tempo brigando com a Dilma. Se dependesse só de mim, nós iríamos para a oposição, mas tem que reunir esse povo aqui para decidir.

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