'Solicitar reunião não é crime', diz defesa de Rose

Criminalista Celso Vilardi afirma que Polícia Federal 'confunde' relacionamento pessoal com a função exercida por ex-assessora

Entrevista com

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo - ampliada às 7h37

10 de dezembro de 2012 | 02h04

Rosemary Noronha confirma amizade com Paulo Vieira, mas sustenta que o encaminhamento de solicitações feitas por ele era uma de suas atribuições.

A versão de Rose está sendo preparada cuidadosamente pelo criminalista Celso Vilardi, seu defensor. Causas intrincadas dão a Vilardi experiência incomum, em 23 anos de carreira e 43 de vida.

Formado pela PUC/São Paulo, professor de Direito na GV e especialista em ações sobre crimes financeiros, ele enfrentou e derrubou a Operação Castelo de Areia, em 2009, que investigou evasão de divisas envolvendo executivos da Camargo Correa. Metódico, sua estratégia, de modo geral, é traçada a partir de contradições e brechas que busca nos próprios termos das acusações.

O sr. já definiu a estratégia de defesa de Rose?

O material é muito extenso. O inquérito terminou agora, o que me obriga a aguardar manifestação do Ministério Público para decidir sobre medidas.

A PF acusa Rose por quadrilha.

Estranho bastante a acusação, tendo em vista que os elementos já eram conhecidos. Não me parece que haja qualquer fato a embasar esta acusação.

A PF diz que Rose mantinha "relação estável" com o grupo de Vieira.

O relacionamento que ela possuía com Paulo já era conhecido do delegado antes da busca. É inadmissível uma nova acusação neste momento. Curiosamente este novo indiciamento veio após uma petição minha em que requeri apuração rigorosa dos inúmeros vazamentos que ocorreram.

Rose foi elo da organização?

Rose não participou de qualquer organização. Há um equívoco no relatório. Ela era muito amiga de Paulo, fez reformas em imóveis dele, além ter decorado e comprado objetos de decoração. A maioria das mensagens trocadas está relacionada a estes temas. A Polícia confunde relacionamento pessoal e privado com a função que ela exercia e solicitações que recebia.

Por que Rose encaminhava as solicitações de Paulo?

Paulo era funcionário público federal e solicitações de reuniões eram feitas por ele e por muitas pessoas com cargos no governo federal, o que será facilmente comprovado. Rosemary atendia muitas solicitações, na medida do possível, esta era uma de suas atribuições. Solicitar reunião não é crime. Não há fato que indique que as solicitações estavam atreladas a irregularidades. Se em alguma reunião ocorreu uma irregularidade ou um crime, não se pode presumir a participação de quem a agendou, por óbvio. Ela não teve qualquer vantagem indevida. Foi apenas reembolsada de gastos com a decoração dos imóveis. Não há prova contra Rose por corrupção ou tráfico de influência. Ela está indignada. É casada, mãe de família. Está sendo exposta de forma absurda, com base em ilações.

Como Rose está convivendo com tanta exposição?

A invasão de privacidade chegou a tal ponto que pedimos providências ao delegado de polícia porque chegaram ao cúmulo de enviar mensagens para contatos de sua caixa postal, ilegalmente obtida. Isso porque, houve um ‘vazamento’ de seus contatos eletrônicos, com e-mails de pessoas que não estão sendo investigadas. Enfim, trata-se não apenas da divulgação do material investigado e criminosamente vazado, mas da utilização dos dados pessoais, que não integram a investigação.

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