Sobrenome conquista eleitorado tradicional

Agora, Fruet e Ratinho Jr. travam disputa por eleitorado pobre na capital paranaense

LEONENCIO NOSSA , ENVIADO ESPECIAL / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h11

Antes mesmo da abertura das urnas, a eleição na maior cidade da região Sul do País já ficou marcada por uma derrota lamentada pelo PSDB e uma vitória vista com constrangimento pelo PT. Tanto o favorito nas pesquisas, Gustavo Fruet (PDT), apoiado por ministros do governo, quanto Ratinho Júnior (PSC), filho do apresentador de TV e amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fizeram campanhas para conquistar o tradicional eleitorado antipetista no Paraná, com ataques aos mensaleiros e raras referências à possível parceria com a presidente Dilma Rousseff, que perdeu os dois turnos na cidade em 2010.

O governador paranaense, Beto Richa, estrela tucana em ascensão, foi o principal derrotado no 1.º turno. Seu apadrinhado, o prefeito Luciano Ducci (PSB), que disputava a reeleição, ficou de fora do 2.º turno. A disputa na capital do Estado, onde vive 1,7 milhão de pessoas, é vista como uma prévia da dificuldade que Richa terá para garantir mais um mandato como governador daqui a dois anos.

Já os ministros petistas Gleisi Hoffmann (Casa Civil), pré-candidata ao governo estadual, e Paulo Bernardo (Planejamento), conseguiram que o PT apoiasse Fruet, mas foram obrigados a abrir mão de indicar o nome para compor a chapa.

Miriam Gonçalves, indicada como candidata a vice na chapa de Fruet, foi escolhida pela ala "histórica" do partido. Nomes nacionais do PT avaliam que Gleisi e Bernardo apostaram certo em apoiar um candidato viável, que já tinha obtido boa votação para o Senado em 2010, especialmente porque o partido não tinha um concorrente de peso.

Na reta final de campanha, Fruet e Ratinho Jr. fizeram propagandas para sensibilizar também o eleitor dos bairros da região sul da capital, os mais pobres de Curitiba, onde a renda média por família é de até R$ 1,5 mil. Um ator anão foi o principal garoto-propaganda de Fruet. Por sua vez, Ratinho Jr. apelou para vídeos em que mães recebiam notícia de assassinato de filhos.

Nova imagem. Considerada cidade modelo de desenvolvimento urbano nos anos 1980, Curitiba amarga, atualmente, um sexto lugar no ranking das capitais mais violentas do País. De 2000 para cá, o índice de homicídios na cidade cresceu 113,2%, passando de 26,2 para 55,9 assassinatos em cada grupo de 100 mil habitantes, segundo números do Ministério da Justiça.

Conhecido pelos abrigos envidraçados das paradas de ônibus, o sistema de transporte coletivo de Curitiba, outrora elogiado, já apresenta sinais de colapso. Os problemas na área do transporte público e nos postos de saúde mantidos pela prefeitura foram tratados com prioridade nas propagandas de Fruet e Ratinho Jr. no 1.º turno, o que tirou da disputa o prefeito Luciano Ducci, conforme analistas.

Regiões. Fruet entrou na disputa como um filho de uma família tradicional da cidade. O pai, Maurício Fruet, foi prefeito entre 1983 e 1986, indicado pela ditadura militar. O candidato percorreu os bairros da região sul, onde na primeira fase não chegou a 20% dos votos e viu Ratinho Jr. conquistar quase 50% dos eleitores.

Desde a disputa pela prefeitura em 1985, entre Roberto Requião (PMDB) e Jaime Lerner (PFL), a cidade não vivia uma polarização tão intensa entre as regiões norte - onde se concentram as classes média e média alta - e a sul.

Naquele ano, Requião conquistou o eleitorado da região sul e Lerner foi o vencedor na região norte. Requião foi eleito prefeito naquele ano.

'Café sozinho'. Nos últimos dias de campanha, os ministros Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo, José Eduardo Cardozo (Justiça) e Alexandre Padilha (Saúde) participaram de comícios de Gustavo Fruet. O candidato do PDT, no entanto, "lembrou" em discurso, tendo ao lado o ministro Cardozo, que "tomou café sozinho" durante o 1.º turno.

A memória de Fruet em seus tempos de deputado tucano, atacando quase diariamente e com muita dureza os políticos petistas envolvidos no escândalo do mensalão, durante a CPI dos Correios, ainda é um desafio forte para os dirigentes e para o eleitorado do PT. O partido chega ao dia decisivo da disputa em Curitiba certo da vitória de um novo aliado - as pesquisas apontavam o candidato pedetista com razoável vantagem no cômputo das intenções de voto.

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