Sobe para 12 número de presos na Operação Voto Livre no Rio

Grupo, que inclui candidata a vereadora do PTdoB, é acusado de usar milícias para conseguir votos na eleição

CLARISSA THOMÉ, Agencia Estado

29 de agosto de 2008 | 17h57

Subiu para 12 total de presos na primeira operação da Polícia Federal para combater os chamados currais eleitorais no Rio. A candidata a vereadora Carmen Glória Guinâncio Guimarães, a Carminha Jerominho (PTdoB), foi presa sob acusação de se beneficiar da atuação das milícias na zona oeste para obter votos. Outros 11 mandados, de 22 expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral, foram cumpridos na Operação Voto Livre. Seis policiais militares também estão presos, outros sete permanecem foragidos. Eles serão transferidos ainda nesta sexta-feira, 29, para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná.     Veja também: PF prende candidata a vereadora no Rio por uso de milícia Filho de vereador Jerominho é acusado de comandar mortes no Rio DEM expulsa deputado ligado a milícias no Rio Assembléia do Rio decide manter deputado Natalino na prisão Relatório aponta 171 comunidades dominadas por milícias no Estado Natalino Guimarães acusa polícia de 'plantar' armas em sua casa Deputado suspeito de ligação com milícias é preso no Rio "Carminha Jerominho usava pessoas que fazem parte da milícia Liga da Justiça para lhe dar sustentação de força. A prisão dessas pessoas é um duro golpe para o grupo criminoso", afirmou o superintendente da Polícia Federal, Valdinho Jacinto Caetano. Carminha é filha do vereador Jerominho Guimarães e sobrinha do deputado Natalino, ambos presos sob acusação de chefiarem a milícia que atua na zona oeste.As investigações revelaram episódios de coação, extorsão e até tentativas de assassinato de pessoas que se opuseram ao grupo nas favelas Carobinha, Barbante e Batan, em Campo Grande. Caetano relatou casos de moradores que tiveram de deixar suas casas por não apoiarem a candidatura de Carminha. Em outro episódio, o administrador de um condomínio, em frente à Carobinha, recusou-se a liberar o terreno para a instalação de um centro social da família Guimarães. Ele e outro homem foram vítimas de tentativa de homicídio, explicou o procurador Rogério Nascimento, que fez a denúncia ao TRE."Há três grupos de presos. Carminha e o irmão, que herdaram a liderança da milícia com a prisão do pai e do tio. Os policiais militares que atuaram na tentativa de homicídio. E Berndinelli e seu funcionário, que coagiram vendedores de gás que atuam na favela", disse o procurador. O ex-PM Luciano Guinâncio Guimarães, irmão de Carminha, também teve o mandado de prisão expedido. Ele, que já é foragido da Justiça Estadual, é acusado de comandar a milícia na ausência do pai e do tio. "Agora ele é foragido da Justiça Federal e vamos manter operações permanentes até sua prisão".     O advogado de Luciano, Flávio Fernandes, disse que as investigações foram "dirigidas politicamente" para prejudicar a candidatura de Carminha e refutou a acusação de coação eleitoral. "É impossível no século XXI que 47 mil pessoas sejam coagidas. A família tem trabalho social muito forte", afirmou, referindo-se à votação do deputado Natalino.O empresário Guilherme de Bem Berndinelli foi preso às 6h30. Dono da Adegás, ele é acusado de coagir revendedores de gás que atuam nas favelas dominadas pela milícia a comprarem em sua empresa. Eles deixaram de pagar R$ 21 o botijão, numa outra distribuidora, para comprar o mesmo produto a R$ 28 na Adegás. A diferença beneficiava as milícias e campanhas eleitorais de seus integrantes. Paulo César de Carvalho, funcionário da Adegás, também teve a prisão decretada, mas está foragido. Ao todo, 230 agentes atuaram na Operação Voto Livre.   Veja os mandados de prisão cumpridos:   1. Carmen Glória Guinâncio Guimarães, a Carminha Jerominha - candidata a vereadora pelo PTdoB. Presa sob acusação de se valer da atuação da milícia para favorecer sua candidatura. Denunciada por coação eleitoral e formação de quadrilha. 2. Guilherme de Bem Berndinelli - proprietário da Adegás, distribuidora de botijões de gás. Acusado de coagir vendedores de gás de favelas controlados pela milícia para comprarem apenas na sua empresa, obrigando o pagamento mais caro pelo botijão. Denunciado por formação de quadrilha e extorsão. 3. Fábio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordo - Está preso desde 22 de julho, na mesma operação que levou o deputado Natalino Guimarães à cadeia. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral. 4. Carlos Henrique Garcia Ramos - Denunciado por tentativa de homicídio e coação eleitoral. 5. Toni Ângelo Souza Aguiar - Policial militar. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral. 6. Júlio César Ferraz - Policial militar. Já estava preso. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral. 7. Ricardo Carvalho Santos, o Ricardo Português - Policial militar. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral. 8. Alonso dos Santos - Policial militar. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral. 9. Flávio Mendes Augusto - Policial militar. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral. 10. Moisés Pereira Maia Júnior - Policial militar. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral. 11. Luciano Sabino da Silva - Denunciado por formação de quadrilha e coação eleitoral. 12. Kennedy - policial militar preso no fim da tarde. O nome completo não foi divulgado. Denunciado por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e coação eleitoral.

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