Sob proteção institucional

O título acima foi empregado pelo novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para resumir sua linha de trabalho à frente da pasta, que se sustentará nas estruturas de Estado e não mais em ONGs (ver matéria na página A4). O principal fator dessa mudança é o tal programa Segundo Tempo, de inclusão social de jovens de baixa renda, através do esporte, até aqui um ralo de corrupção a céu aberto.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h03

Mas o grande impulso provocado por essa mudança de conceito deverá ocorrer em relação à Copa do Mundo - um projeto que hoje separa a Fifa e o governo brasileiro. Aldo quer o Itamaraty parceiro do ministério na condução das negociações e já fez a abordagem a diplomatas nesse sentido.

Como já trouxe a Controladoria-Geral da União para dentro do ministério, o novo ministro vai trabalhar com o fiscal de um lado e o diplomata do outro. Os cargos estratégicos serão preferencialmente ocupados por técnicos, alguns desportistas de capacidade de gestão já testada, caso de Lars Grael. Ao partido, aquilo que não comprometer a eficiência.

Até porque o que um partido deve buscar na gestão de um ministério é a eficiência que lhe dê visibilidade política e eleitoral como consequência de resultados concretos para a população.

Nada mais óbvio do que o Itamaraty na condução de um evento internacional e só não espanta que tal ainda não tenha acontecido porque nada espanta numa estrutura de 37 ministérios, dos quais pouco se sabe, a começar pelos nomes de seus titulares, alguns ainda sem contato com a presidente da República.

Reforma administrativa

Com uma das maiores bases de sustentação de todos os tempos, acrescida agora de apoio voluntário do PSD, o governo tem as condições para promover uma reforma administrativa, além da ministerial prevista para janeiro. Essa ideia tem frequentado o pensamento de algumas lideranças políticas e vem sendo defendida com veemência por observadores e cientistas políticos. Não se sabe o que vai pela cabeça da presidente Dilma, mas o tema só não virou ainda aposta pela dúvida sobre sua condição de impor a redução de ministérios aos partidos da aliança. O que concretamente ninguém duvida é que, a permanecer a atual estrutura, o governo não conseguirá evitar escândalos em série pela impossibilidade de se gerir uma máquina tão gigantesca.

Bola da vez

É o Ministério do Trabalho a preocupação da vez do governo: lá como no Turismo, Cidades e Esporte, ONGs fazem a festa, principalmente em convênios envolvendo núcleos sindicalistas País afora. Desde 2007 à frente da pasta, Carlos Lupi sai na reforma, se não for atropelado por denúncias antes disso.

Propaganda enganosa

Olhando com atenção os nomes dos delegados recém-nomeados e seus vínculos políticos, constata-se que a troca da cúpula da Polícia Civil de Brasília tem mais de marketing do que de saneamento. O novo diretor-geral, Onofre de Moraes, contemplou todas as correntes - de Roriz a Agnelo Queiroz -, na distribuição dos cargos de chefia, e o governador vendeu como a queda de toda a cúpula policial para passar a imagem de comando sobre o aparelho de segurança. Na verdade, a operação tem o único objetivo de sustar os vazamentos que comprometem Agnelo, como a recente fita em que promete ajuda ao PM João Dias para fraudar a prestação de contas de sua ONG acusada de desviar R$ 3 milhões.

FGTS

O líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE), quer relatar a MP 540, que concede incentivos fiscais a diversos setores da economia. Mas o Planalto prefere Romero Jucá (PMDB-RR), que considera mais experiente para garantir a preservação da emenda que libera até R$ 5 bilhões do FGTS para obras de infraestrutura da Copa e da Olimpíada.

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