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Sob pressão, Alckmin revê estratégia nas redes sociais para eleição

Campanha tucana troca coordenador de mídias sociais, área considerada chave por causa da forte presença de Bolsonaro; aliados cobram narrativa para ‘desconstruir’ rival

Pedro Venceslau, Adriana Ferraz e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2018 | 21h39

As mais recentes pesquisas sobre a eleição presidencial 2018 que mostram Geraldo Alckmin, candidato do PSDB, ainda no patamar de um dígito das intenções de voto pressionam a equipe de comunicação da campanha e causaram a primeira baixa no time do tucano. Responsável pela área digital, o publicitário Marcelo Vitorino foi retirado do cargo nesta quinta-feira, 23. Tucanos e aliados admitem reservadamente que a campanha ainda não encontrou uma narrativa nas redes sociais para “desconstruir” o candidato do PSLJair Bolsonaro, e alavancar Alckmin.

Bolsonaro lidera as sondagens no cenário sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Lava Jato e registrado como candidato do PT. As redes sociais são consideradas um elemento-chave na campanha de Alckmin por ser uma arena na qual Bolsonaro tem a presença mais consolidada. No Facebook, por exemplo, o candidato do PSL possui 5,5 milhões de seguidores; Lula tem 3,7 milhões e Alckmin, 912,6 mil. 

O Estado apurou que o candidato do PSDB está insatisfeito com a ação nas redes sociais e que Vitorino também se desentendeu com membros da equipe do marqueteiro Lula Guimarães. Dirigentes de siglas do Centrão – grupo formado por DEM, PP, PR, Solidariedade e PRB – também estão incomodados e disseram a Alckmin que a campanha precisa mudar e expor fragilidades e contradições de Bolsonaro. 

Na avaliação do bloco, as mídias sociais do candidato estão muito “burocráticas” e não atraem eleitores. A pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, divulgada na segunda-feira, mostrou Alckmin com 7% das intenções de voto no cenário sem Lula. Bolsonaro lidera com 20%, Marina Silva (Rede) tem 12% e Ciro Gomes (PDT), 9% - resultado fez as campanhas reverem suas estratégias, como mostrou o Estado. Já na pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira, 22Alckmin apareceu com 9% das intenções de voto no cenário sem Lula.

Bolsonaro está na frente do ex-governador no Estado de São Paulo e tem avançado sobre o eleitorado tucano. Nesta semana o candidato do PSL iniciou um périplo pelo interior paulista, tradicional reduto do PSDB – na quarta-feira, 22, vinculou Alckmin à Lava Jato.

A campanha de Alckmin ainda testa a melhor forma de atacar Bolsonaro. Embora haja a convicção da necessidade de se iniciar o quanto antes uma ofensiva contra o rival, o diagnóstico é o de que todo o cuidado é pouco para não perder apoio. 

Resiliência de Bolsonaro nas pesquisas causa apreensão entre alckmistas

A avaliação na campanha é que o PT tem uma vaga garantida no segundo turno e que Alckmin é o candidato com mais estrutura e narrativa para disputar com os petistas. A resiliência de Bolsonaro nas pesquisas, contudo, causa apreensão no comitê alckmista. A ideia é usar parte das 12 inserções diárias de 30 segundos a que o PSDB tem direito na TV para atacar o candidato do PSL. A “dose” pode aumentar dependendo do resultado.  Parte do entorno de Alckmin defende que o próprio candidato adote um tom mais agressivo e direto contra Bolsonaro, mas outra corrente advoga a tese que o ideal é preservá-lo e usar apenas os comerciais para a “propaganda negativa”.

As redes sociais da campanha tucana serão assumidas pelo jornalista Alexandre Inagaki. 

Vitorino minimizou sua saída. “Isso já estava combinado desde o primeiro momento.” Após ser procurado pela reportagem, Lula Guimarães fez uma postagem dizendo que Vitorino “foi promovido” para a área de mobilização.

Vídeo: Conheça a história dos debates eleitorais transmitidos pela TV

 

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