Sob gritos de 'ladrão', Maluf se compara a Jesus em carreata

Sob gritos de 'ladrão', Maluf se compara a Jesus em carreata

Três dias após o TSE barrar sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa, deputado faz ato de campanha nas ruas de São Paulo

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2014 | 13h12

Atualizada às 22h

São Paulo -O candidato do PP a deputado federal Paulo Maluf voltou a fazer campanha nesta sexta-feira, três dias depois de a Justiça Eleitoral ter barrado sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. O ex-prefeito participou de uma carreata sob gritos de “ladrão” e se comparou a Jesus Cristo ao comentar as injustiças que sofre na vida pública.“Quem entra na vida pública tem de saber que também Jesus Cristo foi injustiçado, JK foi injustiçado, Getúlio (Vargas) foi injustiçado. Muita gente foi injustiçada”, afirmou Maluf quando questionado sobre a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de barrar sua candidatura, o que o impediria de disputar as eleições deste ano.

Na terça-feira, a maioria dos ministros do TSE negou recurso de Maluf e entendeu que ele é inelegível devido a uma condenação por crime de improbidade administrativa cometido durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo. A Justiça Federal se apoiou em decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que, em 2013, condenou o ex-prefeito, acusado de superfaturamento durante a construção do Complexo Viário Ayrton Senna. Maluf foi prefeito entre 1993 e 1996.

O deputado voltou a recorrer da determinação da Justiça alegando que não há dolo ou enriquecimento ilícito em sua condenação. “O acórdão do TJ foi explícito que não há dolo nem enriquecimento ilícito. A condenação do prefeito foi muito clara: culposa. Portanto não gera inelegibilidade”, afirmou o candidato, negando qualquer tipo de abatimento com o ocorrido.

“Nós vamos continuar, dentro do nosso Estado de Direito, sem nos enervar e sem nenhum tipo de tristeza, nos defendendo. Eu não estou impedido de fazer campanha. E meu número vai estar na urna eletrônica: é 1111”, disse Maluf, que se considera inocente e o político “mais ficha limpa de São Paulo”.

Xingamentos. Por pouco mais de uma hora, o candidato percorreu as ruas do Brás em cima de um jipe vermelho. Sentado no banco da frente, Maluf foi só simpatia ao distribuir cumprimentos aos passantes, mesmo aos que retribuíam com xingamentos ou cara feia. “Seu vagabundo!”, gritou um eleitor quando a carreata passava. “Ladrão! Seu safado!”, berraram outros. Maluf respondia sempre com um sorriso e um aceno.

Antes de embarcar no jipe, o ex-prefeito declarou voto à presidente Dilma Rousseff (PT), a quem classificou de “mais instrumentada” para o cargo. “Não dá para a gente trocar os pneus com o carro andando. Eu voto em Dilma, porque ela é mais instrumentada, mais competente”, afirmou Maluf, cujo partido está aliado ao PT no âmbito federal.

O candidato também elogiou o governador Geraldo Alckmin (PSDB), tratado por Maluf como amigo. O PP hoje está coligado ao candidato do PMDB ao governo do Estado, Paulo Skaf, mas antes integrava a equipe de Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. O partido estava alojado na diretoria da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, órgão ligado à Secretaria de Habitação de Alckmin. 

“Cada um tem seu estilo. O governador Geraldo Alckmin é um homem de bem, é um homem honrado e está tendo maioria nas pesquisas”, disse Maluf para, em seguida, criticar: “Eu não reprovo o estilo dele. Mas o meu é um pouco diferente. Ele diz estar desacelerando a violência. Isso para mim não é motivo de alegria. Motivo de alegria é acabar com a violência. Em vez de matar 30, mata 29 e fica feliz com isso”, afirmou. O ex-prefeito disse ainda que lugar de bandido é na cadeia e afirmou que, se fosse governador, teria colocado a Rota na rua.

Maluf disse ainda que o governo paulista investiu pouco no setor hídrico e isso é a principal causa da crise de abastecimento de água. Para o deputado, Alckmin teria de demitir a diretoria da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). “Se eu fosse o governador, essa diretoria da Sabesp já estaria no olho da rua há muito tempo”, afirmou ele.

Tudo o que sabemos sobre:
EleiçõesPaulo MalufFicha Limpa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.