Sob Agnelo, crise persiste em Brasília

Com problemas fiscais e de paralisia, gestão de petista repete tempos do 'mensalão do DEM'

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h08

Há apenas dois anos, Brasília comemorou seu cinquentenário com o então governador, José Roberto Arruda (ex-DEM) preso, em meio ao escândalo de corrupção investigado na Operação Caixa de Pandora, que indiciou mais de 30 pessoas e quase provocou intervenção federal na capital. Dois anos depois, a cidade celebra novo aniversário sem ter o que comemorar: o governador atual, Agnelo Queiroz (PT), também está nas cordas.

Apontado pela Polícia Federal como o "01 de Brasília", em diálogos do esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, Agnelo é o quinto governador a assumir em apenas dois anos. Alvo de inquérito criminal no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele tem pedido de prisão feito ao MP pelo deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) e governa cercado de greves de servidores.

Acuado pela crise, seu governo dá sinais de paralisia. Nem as faixas de pedestres, antigo orgulho da cidade, estão sendo pintadas. Só não foi afetada a construção do estádio, um dos que sediarão jogos da Copa do Mundo.

Falido. Apesar do orçamento generoso de R$ 25 bilhões anuais, dos quais 60% oriundos da União via transferência constitucional, o governo está falido e este ano bateu no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, ao comprometer 46% da receita corrente com a folha salarial do funcionalismo.

Numa tentativa de enxugar as contas, Agnelo fechou o cofre para as categorias que foram bater à sua porta na data-base. As áreas mais atingidas são as de Educação e Segurança Pública. A Polícia Civil já fez três greves e a Polícia Militar passou meses numa operação tartaruga. Como resultado, os índices de criminalidade explodiram no DF e avançaram sobre o Plano Piloto, área de segurança máxima que concentra os três poderes.

Nesse período os principais indicadores de violência, sobretudo homicídios, estupros, sequestros relâmpago e roubos, dispararam. Em março, foram registrados 88 assassinatos, mais de 40% acima do registrado no mesmo período de 2011 (61). Só no feriado da Semana Santa foram 11 homicídios, o dobro do ano anterior. Os números da criminalidade equipararam Brasília aos bolsões de pobreza da região do Entorno, que figuram entre as áreas mais inseguras no mapa da violência do Ministério da Justiça.

Na Educação, uma greve que já dura 40 dias cancelou as férias escolares do meio do ano e ameaça o ano letivo. Os professores montaram acampamento em frente ao Palácio do Buriti, onde recebem a cada dia adesões de outras categorias inconformadas com os rumos do governo.

Os próximos que ameaçam cruzar os braços são os servidores do Metrô, do Detran, agentes penitenciários e agentes da Saúde. Desde que Agnelo assumiu, mais de 80% dos servidores públicos já fizeram greve.

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