Skaf já ensaia voo de candidato em SP

Nome forte do PMDB para o Bandeirantes, presidente da Fiesp viaja, inaugura escolas, paga marqueteiro e fala em saúde e educação

JULIA DUAILIBI / SÃO PAULO, RICARDO BRANDT /VINHEDO, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2013 | 02h04

Toda sexta-feira pela manhã, o empresário Paulo Skaf abandona o escritório com vista para a Avenida Paulista, em São Paulo, e pega um carro ou helicóptero rumo ao interior do Estado. Munido de números sobre investimentos em educação e de um discurso bem próximo ao de um político profissional, beija crianças, conversa com prefeitos e descerra placas de inaugurações.

Skaf é potencial candidato do PMDB ao governo paulista em 2014. Como tal, é estrela de comerciais do partido na televisão. Skaf é também presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). E, também como tal, estrela dos comerciais da entidade na TV.

A jornada dupla de Skaf lhe garante projeção, mas também críticas de que usaria a entidade para fins políticos. No comercial do PMDB, exibiu ações do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), ligado à Fiesp, assim como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP). Juntas, as entidades têm orçamento anual de cerca de R$ 2,8 bilhões, um poder de fogo maior que o de muito partido. O PMDB, por exemplo, receberá cerca de R$ 24 milhões do Fundo Partidário em 2013. Só o contrato semestral do marqueteiro Duda Mendonça com o Sesi/Senai, assinado em 2012, na gestão Skaf, é de R$ 16 milhões.

Como presidente da Fiesp, Skaf inaugurará neste ano 70 escolas do Sesi/Senai. O turno integral nas unidades tornou-se um cartão de visitas da sua gestão e tem potencial de se tornar patrimônio eleitoral. A rede envolve mais de 300 unidades pelo Estado. Só no Sesi são 350 mil alunos. Neste ano, Skaf já participou de oito inaugurações.

Gestão pública. No último dia 12, ele foi a Vinhedo. Subiu no palanque com políticos, elogiou o prefeito, Milton Serafim (PTB), distribuiu apertos de mão e sorrisos, deu autógrafo, tirou fotos e ouviu pedidos. Ensaiou ainda discurso de candidato. "O problema da educação é o mesmo da saúde, da segurança, da infraestrutura: é o problema grave na gestão pública. Temos má gestão, e isso vem antes dos recursos. Falar que São Paulo não tem recurso... O orçamento de São Paulo no ano passado foi R$ 174 bilhões, maior do que o da Argentina", disse.

Embora Skaf negue conotação eleitoral nessas andanças, as pessoas relacionam suas visitas à eleição."Já tinha visto ele uma vez na TV quando ele foi candidato", afirmou o aluno do ensino médio Pedro Cavalli, de 16 anos. "Acho que ele seria um bom governador."

"A escola é fantástica, belíssima", afirmou o prefeito de Guararapes, Edemilson de Almeida (PSDB), que recebeu Skaf em março para inauguração de unidade de R$ 12 milhões. "Eu não tenho vínculo político com ele porque sou do PSDB e apoio Alckmin à reeleição. Mas tenho gratidão por seu trabalho."

Disputa. Depois de perder a eleição de 2010, quando disputou o governo do Estado pelo PSB, Skaf foi reeleito presidente da Fiesp em 2011, com mandato até 2015. Fez, então, reformulação na comunicação da entidade e promoveu a licitação que contratou Duda, seu marqueteiro em 2010. Na Fiesp, ele recebe prefeitos do interior paulista.

Desde que o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) foi abatido por denúncias de que teria recebido propina quando foi secretário de Educação (2003-2006), Skaf se fortaleceu como nome do PMDB em 2014. "Vamos ter candidatura própria em 2014", afirmou o deputado estadual Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista.

No mês passado, a Fiesp lançou campanha nacional na TV para falar sobre o desconto na conta de luz, outra bandeira defendida por ele. "Com muita luta, conseguimos baixar o preço da conta de luz para todos os brasileiros", disse Skaf no vídeo, em discurso considerado eleitoral por políticos. Mas é o próprio presidente da Fiesp que não esconde o desejo de se candidatar: "Se for escolhido, terei orgulho de disputar". Na hora certa, afirma.

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