Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Skaf decide apoiar Márcio França contra Doria no 2º turno em SP

Terceiro colocado no primeiro turno, emedebista deve fazer nesta quarta-feira uma agenda com o atual governador em Suzano, na Grande São Paulo, para anunciar a aliança

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2018 | 19h28

SÃO PAULO - Terceiro colocado no primeiro turno da disputa ao governo de São Paulo, o empresário Paulo Skaf (MDB) decidiu apoiar o governador Márcio França (PSB) no segundo turno contra o candidato tucano João Doria. Ambos anunciam a aliança nesta quarta-feira, 9, em uma visita a uma unidade do Sesi na cidade de Suzano, na Grande São Paulo, onde Doria venceu os rivais. 

Segundo aliados de Skaf, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) já tem uma relação antiga com França, que o lançou na política na eleição a governador em 2010 pelo PSB. Ele também demonstrou irritação com os ataques que sofreu da campanha de Doria. O tucano usou jingles na propaganda de rádio para associar Skaf ao presidente Michel Temer e dizer que seu filho foi beneficiado pelo governo do MDB com recursos da Lei Rouanet. A peça foi suspensa pela Justiça Eleitoral.

Como já é praxe nas declarações de apoio entre candidatos no segundo turno, França deve se comprometer com alguns pontos do programa de governo de Skaf. O principal deles é de “levar o padrão Sesi para as escolas estaduais", bandeira de campanha do emedebista. Nos debates, porém, o pessebista chegou a criticar o empresário pelo fato de o Sesi cobrar mensalidade e também o associou a Temer e ao governo do MDB no Rio de Janeiro. 

Virada. O apoio de Skaf, que perdeu para França a vaga no segundo turno por uma diferença de 89 mil votos, é o principal trunfo do atual governador para tentar virar o jogo contra Doria – desde a aprovação da reeleição, em 1998, todo governador paulista que tentou um novo mandato saiu vitorioso das urnas. No primeiro turno, França teve 21,5% dos votos válidos, ante 31,8% de Doria, o que representou uma vantagem de 2,1 milhões de votos para o tucano – metade da votação recebida por Skaf. 

O emedebista chegou a liderar a disputa durante a campanha, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, mas começou a cair na reta final e não conseguiu reverter a tendência. Políticos do MDB atribuíram a derrocada final à declaração “precipitada” de apoio que ele deu ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) quatro dias antes da votação. 

‘Padrinho’. Foi pelas mãos de França que Skaf estreou na política, em 2010, quando foi candidato a governador pela primeira vez pelo PSB. Na ocasião, ele se apresentou como a terceira via entre a polarização PSDB e PT no Estado, mas foi derrotado por Alckmin no primeiro turno. Em 2014, já no MDB, Skaf tentou chegar ao Palácio dos Bandeirantes pela segunda vez, mas perdeu para Alckmin, também no primeiro turno. 

Além de Skaf, França deve receber apoio indireto do PT, que ficou em quarto lugar com Luiz Marinho. O partido decidiu pela “neutralidade” no segundo turno, mas vai deixar claro aos seus eleitores que eles são anti-Doria. Da mesma forma, o PSL de Bolsonaro também não subirá em nenhum dos dois palanques, mas o presidente estadual da sigla e senador mais votado no último domingo, Major Olímpio, afirmou que jamais vai apoiar o PSDB em São Paulo.

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