SIP retoma debate sobre liberdade de imprensa

No discurso de abertura do encontro, em Cádiz, o presidente Milton Coleman critica governos da América Latina que intimidam jornais

LUCIANA NUNES LEAL , ENVIADA ESPECIAL / CÁDIZ, ESPANHA, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h06

No primeiro dia da Reunião de Meio de Ano da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o presidente da instituição, Milton Coleman, do The Washington Post, disse que o encontro pretende "fazer de tudo para atrair as pessoas à causa da liberdade de expressão e de informação" e citou Equador, Venezuela e Argentina como países onde, apesar da democracia instalada, os meios de comunicação estão sob ameaça.

"Vamos continuar nossos esforços para mostrar às pessoas o que está acontecendo com a liberdade de expressão e de informação na América Latina. Desde que nos encontramos pela última vez, em Lima, estão todos mais conscientes e atentos aos perigos das restrições ao acesso à informação", afirmou Coleman. "Existe um esforço nesses países" - prosseguiu, referindo-se a Equador, Venezuela e Argentina - "para, usando meios legais, intimidar a mídia e ameaçar economicamente os meios de comunicação".

Neste sábado, os representantes de 25 países vão apresentar relatórios na reunião da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP. Entre eles, o representante do Brasil na reunião de Cádiz, Paulo de Tarso Nogueira, consultor do Estado. Também serão relatados casos de violência contra jornalistas.

O encontro reúne 250 profissionais e executivos de jornais associados à SIP e pretende marcar a comemoração pelos 200 anos da Constituição espanhola, precursora da garantia da liberdade de expressão.

Mundo digital. Os meios digitais e as redes sociais aplicadas ao jornalismo foram os temas do primeiro dia. A jornalista Rosalía Lloret, do Grupo Prisa - que edita o jornal El País -, e outros profissionais citaram o crescente uso de tablets e celulares como meios de acesso à informação. Rosalía mencionou pesquisas recentes que detalham como os leitores se informam ao longo do dia. Jornais impressos ou tablets são lidos de manhã cedo, celulares com acesso à internet no caminho para o trabalho, notícias online dos portais das 10h às 18h. Na volta para casa, novamente os celulares e, antes de dormir, leitura mais aprofundada nos tablets. "O conteúdo é o rei, mas a praticidade e a conveniência são a rainha", resumiu Rosalía Lloret.

Conteúdo. Responsável pela remodelação de jornais em vários países, inclusive a do Estado, Francisco Amaral, diretor da Cases i Associats, de Barcelona, alertou para o risco de os profissionais se preocuparem em excesso com as plataformas, em detrimento do conteúdo. "Editar é controlar o fluxo de conteúdo desde o início e não só colocar na página", afirmou.

A publicidade nos meios digitais foi debatida à tarde. A conclusão é de que o número de leitores de jornais online é crescente, mas as publicações não conseguem atrair anúncios. Pesquisa divulgada pela empresa ClicLogix revelou que mais da metade dos jornais pesquisados, todos associados à SIP, tem menos de 2% das receitas provenientes de anúncios nos meios digitais.

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