SIP analisa futuro do jornalismo em SP

Entidade abre hoje sua 68ª Assembleia Geral, que reúne 450 profissionais e analisa situação da liberdade de imprensa no continente

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2012 | 03h06

Instalada, de hoje até terça-feira, em três andares do Hotel Renaissance, na área central de São Paulo, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) abre esta tarde a sua 68.ª Assembleia-Geral - a quinta realizada no Brasil.

Cerca de 450 jornalistas e donos de empresas de comunicação de mais de 30 países do continente - dos quais 65 atuarão como palestrantes - abordarão temas que vão das ameaças à liberdade de expressão à adaptação do meio às novas tecnologias, à instalação de multiplataformas digitais e, ainda, a questões financeiras como a da internet paga.

Personalidades ilustres, convidadas para o evento, incluem o CEO do The New York Times, Arthur Sulzberger Jr., o diretor presidente do El País, da Espanha, Juan Luís Cebrián, o editor do Newsonomics (EUA), Ken Doctor. Do meio político lá estarão o ex-ministro de Relações Exteriores do México, Jorge Castañeda, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (Brasil) e Alan Garcia (Peru) e a ex-senadora Marina Silva. São aguardadas na solenidade de abertura, na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab.

Como diz a própria apresentação da SIP, os 12 seminários abordarão desde modelos sustentáveis para o futuro do jornalismo e a otimização dos fluxos de trabalho até a cobrança por conteúdo jornalístico nos sites de internet, a formação de jornalistas em um universo multimídia e, por fim, a propriedade intelectual no mundo digital.

Novos tempos. "Não é o melhor dos tempos, mas também não é o pior", avalia, sobre o encontro, o presidente da SIP - o americano Milton Coleman, do jornal The Washington Post. Numa mensagem sobre o encontro, ele afirma que "essa realidade enfatiza mais a necessidade de continuar com os objetivos da SIP para impulsionar o jornalismo ético" - que, segundo ele, tem "impacto em todas as plataformas cada dia mais digitalizadas do mundo de notícias e informação". Depois de um ano difícil, em que se dedicou por longo tempo a questões da "diplomacia jornalística" e às relações com a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Coleman desembarca em São Paulo para comandar o evento e, na terça-feira, cumprindo uma rotina de todos os congressos da SIP, passar adiante o cargo de presidente.

Pesquisa. A manhã da segunda-feira traz uma das grandes atrações do encontro: a apresentação, em painel especial, do resultado de uma investigação da própria SIP, entre dezenas de editores e repórteres de seus filiados, sobre os problemas da liberdade de imprensa em seus países.

O diretor executivo da entidade, o chileno Julio Muñoz, espera "debates produtivos e muitos temas polêmicos", como o tráfico de armas e as quadrilhas de narcotraficantes, que continuam a fazer vítimas fatais e representam ameaça diária a jornalistas no México e, em menor escala, na Colômbia.

Muñoz cita, também, o desafio da revolução tecnológica, que se soma a crescentes dificuldades financeiras para as empresas do setor. Mas ele é otimista: "Não creio, como alguns, que a informação digital vá levar ao desaparecimento dos jornais". Para esses debates, ele lembra que muito do que circula em sites, Twitter, Facebook e outros meios é coisa irrelevante. "O que importa é a credibilidade da informação. Ela continuará a ser o diferencial que garantirá a sobrevivência da informação escrita."

As reuniões da Comissão de Liberdade de Expressão serão - como em todos os anos - o momento marcante da Assembleia. Nelas, os delegados vão avaliar, país por país, como essa liberdade foi afetada e os jornalistas, ameaçados. São cerca de 30 depoimentos, que na terça-feira de manhã serão votados e incluídos no Relatório Final da Assembleia.

O encontro inclui a entrega dos Prêmios SIP de Excelência Jornalística. O prêmio de Opinião vai para o ensaio "O Desejo de Censura", do jornalista Eugênio Bucci, publicado no caderno "Dois Anos de Mordaça", do Estado, em 31 de agosto do ano passado.

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