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Sinal exterior

O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab já decidiu: será candidato ao governo do Estado em 2014. Promete se empenhar para ganhar, mas não perde tempo com disfarces: vai concorrer para que seu eleitor não entenda a adesão à reeleição da presidente Dilma Rousseff como uma transmutação radical.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2013 | 02h08

"Preciso mostrar que não virei petista", diz Kassab, oriundo das hostes malufistas, com passagem pelo DEM, fundador e presidente do PSD cuja doutrina, segundo a própria definição, não se alinha "à direita, à esquerda ou ao centro".

Mas, se evita a identificação com o PT para não afugentar seu eleitor tradicional, o ex-prefeito assegura que a aliança do PSD com Dilma está mais forte do que nunca.

Embora considere Eduardo Campos uma hipótese "em viés de alta", Kassab acha que a disputa mesmo será entre PT e PSDB. "Como os tucanos (leia-se Geraldo Alckmin e companhia) nos trataram muito mal em São Paulo e a presidente nos recebeu muito bem em Brasília, ficamos com ela."

Rejeita a interpretação de que a recusa de levar o PSD ao governo agora (Guilherme Afif é posto na categoria opção pessoal de Dilma) decorra de indecisão quanto a 2014.

O problema foi "mistura de timing". Kassab achou melhor o PSD não entrar no governo no momento em que a presidente mexia na equipe para assegurar alianças partidárias à reeleição. "Ficaria parecendo troca-troca." Já um ministério adiante, se houver segundo mandato, digamos que não esteja fora dos planos dele.

Gilberto Kassab não vê no apoio à reeleição contradição alguma com a decisão de se candidatar a governador teoricamente almejando o posto cobiçado pelo partido de Dilma.

Ao contrário. Sua disposição é, na prática, funcionar como linha auxiliar da candidatura à reeleição: "Em São Paulo a presidente terá três palanques, o meu, o do PMDB e o do PT". Se com isso ainda puder dificultar a vida de Alckmin na busca pela reeleição ao governo paulista, por que não?

Não bastassem as inúmeras demonstrações de seu pragmatismo - extremado, segundo alguns autores - o ex-prefeito deixa de lado as escaramuças com os tucanos e apresenta mais credenciais nesse quesito e anuncia alianças com o PSDB em eleições estaduais. De cabeça cita Paraná, Goiás e Pará como algumas já fechadas. Qual o critério? "A consolidação do PSD nos Estados. Ainda estamos nascendo."

Por falar no assunto, aproveitemos para saber de Kassab se não vê incoerência em ter-se valido de decisão judicial para obter acesso ao fundo partidário e ao horário eleitoral e agora ter-se empenhado em impedir novas legendas de conseguir o mesmo.

"De jeito nenhum. Primeiro porque fundamos o partido 'no escuro', poderia não ter dado certo e, segundo, porque esse negócio de legenda de aluguel está uma vergonha: no dia seguinte (à vitória do PSD na justiça) tinha fila na minha porta atrás de consultoria para criar partido".

À vista. Virá em breve, talvez em maio, quando da posse da nova diretoria da Associação Comercial de São Paulo, a oficialização do convite a Guilherme Afif para o Ministério das Pequenas e Médias Empresas.

Pé na porta. Manifestação contrária à candidatura de Eduardo Campos feita dia desses pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, é identificada como recado encomendado pelo governador de Pernambuco. Para manter espaço aberto para um recuo.

Indicado por Campos ao ministério, homem de sua confiança estrita, Bezerra não diria nada que contrariasse a orientação do governador sem correr o risco de arcar com dificuldades políticas intransponíveis em Pernambuco.

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