Siglas buscam nomes de todas as centrais

Ao montar listas de pré- candidatos, PSDB e PSD não questionam a qual central o sindicalista é filiado, ampliando inserção

O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2012 | 03h06

Nas listas montadas pelo PSDB e pelo PSD com nomes de pré-candidatos sindicalistas em vários Estados, os partidos optaram por uma estratégia curiosa: não perguntam a qual central sindical os potenciais futuros vereadores, prefeitos e vices estão filiados.

Segundo Antonio Ramalho, organizador do núcleo sindical tucano no País, representantes das seis centrais são bem-vindos. "O PSDB vai lançar até nomes de filiados à CUT", comemora o sindicalista.

Apesar de seu entusiasmo, sabe-se que os cutistas serão minoria. O principal alvo na investida tucana têm sido líderes da Força Sindical - organização com a qual o PSDB sempre namorou.

De acordo com Ramalho, o objetivo da ofensiva sindicalista em 2012 é a defesa dos interesses dos trabalhadores. "Não podemos esquecer que são resolvidas no município questões de nosso interesse direto, como serviços públicos de saúde, creches, educação básica, transporte, lazer, cultura", diz ele.

Dois pré-candidatos entrevistados pelo Estado - sindicalistas do setor da construção civil e moradores da região metropolitana de São Paulo - ressaltam exatamente essas questões nos seus ensaios de discurso de campanha.

Um deles, Francisco Rodrigues Coelho, já se candidatou duas vezes à Câmara de Suzano. A primeira pelo PMDB e a segunda, pelo PRTB. Não se elegeu em nenhuma e agora está pronto para ser lançado pelo PSDB.

O outro, Marco Antonio da Silva, de Carapicuíba, também não é neófito. Em 2008 foi à luta pela vereança sob a sigla do DEM. Agora sairá com o PSD.

Creches. Coelho destaca que o crescimento econômico registrado nos últimos anos, seguido da maior oferta de empregos, elevou o nível de preocupação dos trabalhadores com os filhos. "Com quem deixar? Vão ficar na rua? Essas são perguntas que os pais sempre fazem", diz. "O número de creches em Suzano está defasado e faltam escolas com estrutura ocupacional, para retirar os jovens das ruas. Vou tratar disso na Câmara", promete.

Em Carapicuíba, cidade onde o PT chegou ao poder por meio de inusitada aliança com o DEM, o pré-candidato do PSD quer tratar da melhoria do sistema de atendimento médico. "É um problema de todo o País e nem sempre é da competência do município. Mas dá para fazer coisas por aqui, como a melhoria dos postos de atendimento de urgência", afirma Silva.

O discurso sobre temas paroquiais faz sentido, mas não resume tudo. A instalação de bases políticas municipais também pavimenta vias que levam à Câmara, ao Senado, ministérios e outros cargos federais.

"O partido pensa grande: o alvo é Brasília", enfatiza Ricardo Patah, presidente da UGT, filiado ao PSD. "Os sindicalistas querem aumentar a sua base no Congresso, para debater temas como a reforma da previdência, redução da jornada de trabalho, reforma política." / R.A.

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