Servidor suspeito do TRT-RJ é identificado

PF teria chegado ao nome de Rogério Figueiredo Vieira ao investigar movimentação financeira de R$ 283 mi no tribunal, apontada pelo Coaf

Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2012 | 03h02

RIO - A Polícia Federal investiga um veterano de outros escândalos, o técnico judiciário Rogério Figueiredo Vieira, como o funcionário misterioso que teria movimentado R$ 282,9 milhões, no escândalo dos supersalários do Judiciário, apontados pela corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon. A informação foi dada ontem pelo colunista Ancelmo Goes, no jornal O Globo. A Polícia Federal não confirmou a investigação.

O Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-1) informou em nota que Vieira, que é dono da Mix Trade Comércio Internacional, não era seu funcionário em 2002, quando o episódio teria ocorrido. Seu nome apareceu em uma lista cedida ao CNJ pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Vieira já esteve preso em 2004, quando a Polícia Civil do Paraná investigava supostos desvios na Copel, a companhia de eletricidade paranaense. A polícia chegou ao seu nome a partir do doleiro Alberto Youssef, um dos acusados no caso Banestado. Em 2005, ele foi também investigado no escândalo do mensalão como assessor do deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ). Em 2007, foi novamente preso, na Operação Trânsito Livre.

Duas investigações identificaram o suposto envolvimento de Vieira no caso do Paraná. Uma apurou o pagamento ilegal de R$ 16,8 milhões feito pela Copel à Associação dos Diplomados da Faculdade de Economia e Administração da USP (Adifea), por uma consultoria que não foi prestada. A segunda foi feita por uma força-tarefa da PF com procuradores e juízes para investigar remessas ilegais via contas CC-5.

As duas investigações "se encontraram" depois que Youssef contou à força-tarefa que perto de R$ 16 milhões do dinheiro da Copel foram da Adifea para a empresa Embracon e desta para contas de 36 laranjas de Vieira. À Justiça, Youssef explicou que, para encobrir a entrada irregular de dinheiro, foram feitos contratos de compra e venda de tecnologia e também de mútuo (empréstimo) entre a Embracon e a Mix Trade.

Segundo o depoimento de Youssef, "...o doutor Maurício (Roberto Silva, da Embracon), logo depois que fez a operação, mencionou que precisava de um contrato de mútuo porque não teria condições de desfazer, de esclarecer ao imposto de renda".

A força-tarefa repassou as informações sobre o caso Copel à Polícia paranaense. Em 6 de abril de 2004, foram presos Vieira e outros envolvidos, entre eles dois antigos secretários do governo estadual. Vieira voltou a ser preso em 2007, quando a Operação Trânsito Livre apurava desvios no Detran-PR.

Em depoimento no Conselho de Ética da Câmara, em 2005, durante o mensalão, o deputado Bispo Rodrigues reconheceu que Vieira fora seu assessor. Vieira teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela CPMI dos Correios. A ação deve ser julgada no STF até o fim do ano. / COLABOROU ALFREDO JUNQUEIRA

 

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