Servidor federal atingido por bala ataca a PM

Paulo Maldos, que atua na Articulação Social da gestão Dilma, foi ferido no confronto e diz que operação foi 'barbárie'

VANNILDO MENDES, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h05

O desabafo da presidente Dilma Rousseff, que qualificou de "uma barbárie", no Fórum Social de Porto Alegre, a forma de desocupação do Pinheirinho, no fim de semana, foi reforçado ontem pelo secretário de Articulação Social do Palácio do Planalto, Paulo Maldos, para quem a operação violou direitos humanos e mostrou o desprezo das autoridades paulistas pelo diálogo. "Para mim, estava em jogo a opção entre civilização e barbárie", disse o secretário. "Eles preferiram a violência, a exclusão social e o confronto", enfatizou.

O governo federal alega ter uma postura pela negociação e não criminalização de movimentos sociais e pretende ser um contraponto à opção da gestão do tucano de Geraldo Alckmin.

A responsabilidade pela ação foi assumida integralmente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, mas o ônus político ficou com o governo tucano, ao qual pertence a maior parte das tropas mobilizadas na desocupação.

Maldos estava no Pinheirinho no dia da reintegração de posse da área e foi ferido por uma bala de borracha, segundo ele, disparada por policiais militares.

Na operação, feita às 6 horas do domingo, cerca de 6 mil pessoas foram retiradas por meio da força de suas casas e levadas para alojamentos públicos. Os moradores resistiram e, no confronto, 18 pessoas saíram feridas.

O secretário disse que foi desrespeitado na condição de representante do governo federal e que a Polícia Militar estava instruída apenas a bater, a atirar e a não dialogar. "(Os policiais) trataram o povo como inimigo, como se fosse uma operação de guerra", relatou Maldos, repetindo a definição dada ao episódio pelo ministro Gilberto Carvalho (chefe da Secretaria Geral da Presidência), a quem ele representava nas negociações. "Ninguém perguntava ou respondia nada, apenas atacavam", resumiu.

Apesar disso, o secretário disse que o diálogo do governo federal não está rompido com as autoridades estaduais e as negociações para solução do impasse serão retomadas em breve. Ontem, ele coordenou no Planalto uma reunião técnica com representantes do Ministério das Cidades, da Secretaria Especial de Direitos Humanos e da Advocacia Geral da União (AGU), para levantar um conjunto de alternativas para solução das famílias desabrigadas com a desocupação do Pinheirinho.

Uma das medidas em estudo é assentar parte dos moradores desalojados no próprio terreno. Para isso, a AGU ficou de levantar a dívida com a União da massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas, a quem pertence o terreno. Essa dívida seria convertida em desapropriação.

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