Servidor do TRT-RJ nega ter movimentado R$ 283 mi

Advogado diz que Rogério Vieira ainda não foi notificado sobre inquérito, mas que está à disposição da Justiça

ALFREDO JUNQUEIRA, WILSON TOSTA / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h02

No dia em que o Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-1) instaurou sindicância sobre as atividades do analista judiciário Rogério Figueiredo Vieira, suspeito de ter movimentado R$ 282,9 milhões em 2002, o advogado Ricardo Cerqueira, que representa o servidor, informou que seu cliente não reconhece ter administrado o valor informado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De acordo com Cerqueira, seu cliente ainda não foi notificado pela Polícia Federal sobre o inquérito que foi instaurado há duas semanas para apurar suas operações financeiras.

Preso em 2004 a pedido da Justiça do Paraná, Vieira é acusado de participar de esquema de desvios de dinheiro da Copel por meio de consultoria fraudulentas. "Essa movimentação diz respeito a uma empresa de mercado exterior. Uma trading legalizada no Espírito Santo. Só que ela está desativada desde 2002", argumentou o advogado. "Ele me falou 'eu acho que não é esse valor todo, não é possível'. Talvez tenha sido feito a conta na época com o dólar que valia R$ 4. Não sei. É uma ilação minha", disse o advogado.

Ele afirmou ainda que seu cliente está à disposição da Justiça e da corregedoria do TRT para prestar esclarecimentos.

Vieira ainda é acusado de contrabando e descaminho em três denúncias apresentadas em novembro do ano passado pela Ministério Público Federal do Rio.

A sindicância no TRT-1 será instaurada quando o despacho assinado ontem pela presidente da corte, desembargadora Maria de Lourdes Salaberry, for publicado no Diário Oficial. Não foi divulgada data para conclusão da apuração, que será sigilosa.

Mensalão. Dos cinco anos em que ficou cedido à Câmara, Vieira passou seis meses no gabinete do então deputado e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Carlos Rodrigues (PL-RJ).

Ontem, o ex-parlamentar, que renunciou ao mandato em 2005 e é um dos réus do processo do mensalão, disse que a requisição para o seu gabinete de um servidor acusado de desvio de dinheiro foi uma "infeliz coincidência".

"Esse cidadão trabalhou com outros deputados. Ele ficou cinco anos na Câmara e passou apenas seis meses no meu gabinete. Agora eu sou culpado?", questionou Rodrigues.

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