Serviço 'não devia satisfação' à sociedade

A historiadora Maria Celina D'Araújo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), observa que a papelada agora trazida à luz mostra a insatisfação dos integrantes do SNI, que reclamavam muito do processo democrático que então se iniciava. "Para eles, uma instituição de inteligência deveria ser hermética, seu interior não poderia ser conhecido", resume a pesquisadora. Até o governo João Figueiredo (1979-1985), afirma, os integrantes do "serviço" se sentiam muito fortes, acima de obrigações como dar satisfações à sociedade.

RIO, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h06

Curiosamente, Figueiredo, escolhido para liberalizar o regime, procurou fortalecer o órgão que cuidava das informações dentro do aparato repressivo. Essa disposição ficou clara em decreto de 12 de julho de 1979, editado para criar o Fundo Especial do SNI, destinado a dar-lhe autonomia financeira.

O documento Propaganda adversa contra o SNI - Depoimento de Servidores e Ex-Servidores, de 29 de maio de 1985, aponta a continuidade do poder do sistema. Sob pressão das investigações do assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, ex-colaborador do serviço encontrado morto no Rio em 1982, o autor, não identificado, sugere ação para interferir no inquérito. Os funcionários da instituição seriam levados a combinar suas respostas à polícia para evitar que caíssem em contradição: "(...) Conviria ser expedida uma orientação genérica a todos, a fim de evitar discrepâncias nos depoimentos" .

Um outro estudo revela que, até aquela data, o Serviço tinha 555.267 fichas, das quais 100.796 eram levantamentos de dados biográficos; 119.664, prontuários; 185.575, cadastros nacionais; e 149.232, arquivos cronológicos de entrada. A maioria era de pessoas físicas. / W.T.

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