Serra volta a criticar 'kit gay' federal; PSDB já vê prejuízo

Tucano se irrita ao ser questionado sobre guia similar distribuído em sua gestão no governo de São Paulo; Haddad diz que adversário cria 'nuvem de insegurança'

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2012 | 03h05

O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, defendeu nessa terça-feira, 16, o material elaborado em sua gestão no governo do Estado para o combate à homofobia nas escolas e tentou se desvincular do debate sobre o chamado "kit gay" desenvolvido pelo Ministério da Educação na gestão de Fernando Haddad (PT).

O tucano se irritou com dois jornalistas que fizeram perguntas sobre o material lançado quando ele era governador, em 2009. Serra disse que os repórteres não leram a cartilha e os acusou de tentar beneficiar o PT.

O candidato voltou a dizer que a cartilha criada em sua gestão era direcionada apenas a professores e era mais abrangente do que o material do MEC. "(O material do governo do Estado) era um guia contra o preconceito de classe, cor, tamanho, inclusive contra o preconceito relativo à orientação sexual. Nunca teve problema e reclamação. Era uma coisa dirigida aos professores", afirmou Serra nessa terça, em entrevista ao SPTV, da TV Globo.

Quando ouve perguntas sobre o assunto, o tucano mantém críticas ao "kit gay" de Haddad, mas tenta se desvincular do tema.

Parte da coordenação de campanha de Serra acredita que a discussão sobre o tema não beneficia o tucano e que mesmo as críticas feitas por pastores evangélicos ao material podem colar ao candidato do PSDB uma imagem de político conservador.

Um grupo de aliados defende que Serra abandone o tema aos poucos e que, por enquanto, destaque os pontos positivos do material de combate ao preconceito desenvolvido no Estado.

Serra criticou o "kit gay" pela primeira vez na campanha em agosto, durante uma entrevista à rádio Jovem Pan. Na ocasião, ele disse que o material tinha "aspectos ridículos e impróprios".

Há duas semanas, o pastor Silas Malafaia atacou o material de combate à homofobia de Haddad e declarou apoio a Serra. Na semana seguinte, o tucano se encontrou com o líder religioso.

Contra-ataque. Em entrevista à rádio CBN na manhã dessa terça, Serra se irritou com o jornalista Kennedy Alencar, que comparou o material desenvolvido pelo MEC à cartilha elaborada pelo governo tucano em São Paulo.

Kennedy perguntou se as críticas de Serra ao material de Haddad eram "conveniência eleitoral" ou se o tucano havia se tornado um "político conservador".

"Você leu a cartilha do Estado? Você leu inteira?", perguntou o tucano. "As cartilhas são completamente diferentes."

O candidato do PSDB também acusou o jornalista de tentar beneficiar o PT. "Eu sei que você tem suas preferências políticas, mas modere-se, Kennedy", disse o tucano, em referência indireta ao fato de o jornalista ter trabalhado em uma campanha eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra se irritou também com uma repórter do portal UOL que fez uma pergunta sobre o material elaborado em seu governo e insinuou que a jornalista tentava beneficiar seu adversário. "Vai com o Haddad e trabalha com ele. É mais eficiente", afirmou.

Após visita ao Mercado da Lapa, na zona oeste, Haddad disse que Serra promove "desinformação" em torno do kit anti-homofobia, o que serviria de estímulo indireto à intolerância. "Quando você desinforma, você cria uma nuvem de insegurança nas pessoas, que é própria de quem quer promover esse tipo de preconceito", afirmou. / BRUNO BOGHOSSIAN, DAIENE CARDOSO E RICARDO CHAPOLA

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