Serra só quer reforçar oposição, dizem aliados

Eles defendem andaças de tucano pelo País e dizem que versão sobre sua tentativa de aproximar PPS do PSB é só 'intriga'

DÉBORA ÁLVARES , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2013 | 02h16

Aliados mais próximos de José Serra (PSDB) defenderam ontem a movimentação do ex-governador paulista pelo País dizendo que elas fortalecem a oposição, em vez de dividir o PSDB. No partido, o nome preferido para disputar a Presidência em 2014 é o do senador Aécio Neves (MG). A decisão formal sobre quem será o adversário de Dilma Rousseff ocorrerá em março.

O Estado mostrou ontem que, além de tentar viabilizar seu nome participando de eventos, Serra também tenta enfraquecer Aécio. Ele tem ajudado, por exemplo, na aproximação entre o PPS de Roberto Freire e o PSB de Eduardo Campos, governador de Pernambuco que deve se lançar ao Planalto.

Campos se aliou à ex-ministra Marina Silva no início de outubro e tenta se viabilizar como opção da oposição contra a presidente Dilma Rousseff.

Ontem, os aliados mais próximos de Serra repetiram a frase do ex-governador paulista: "isso é intriga". "Se o Serra está dizendo que é intriga, é intriga. Não faria o menor sentido que isso estivesse acontecendo", declarou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), político ligado historicamente a Serra, mas que hoje integra o campo aecista.

Tucanos afirmam também que "há mais fofoca do que fatos" e que as conversas entre os integrantes da oposição - no caso, Serra e Freire - fazem parte da "estratégia de fortalecer o bloco contra o governo".

O deputado Jutahy Jr. (BA), da ala serrista, disse que o ex-governador paulista e Aécio decidiram manter um canal direto de comunicação. "Eles sabem que intrigas vão surgir. Então, com o canal direto, evitam que elas possam trazer qualquer prejuízo à relação deles e ao partido."

Relação. Apesar das declarações públicas, a relação entre Aécio e Serra sofre desgaste desde a eleição presidencial de 2002, quando o paulista disputou pela primeira vez a Presidência, sendo derrotado pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela eleição e na disputa de 2010 - quando Serra foi derrotado pela presidente Dilma Rousseff -, Aécio foi acusado de fazer "corpo mole" e não se empenhar na campanha do correligionário.

Atualmente, o senador mineiro conta com o apoio de praticamente toda a legenda tucana para se lançar candidato ao Planalto no ano que vem. Oficialmente, Aécio e Serra acertaram que a escolha do nome tucano será feita somente em março de 2014. Pelo acordo, os dois passariam a intensificar os ataques ao governo e ao PT.

Para o deputado federal Marcus Pestana (MG), um dos principais aliados de Aécio, existe hoje uma tentativa de intrigar o senador mineiro e o ex-governador de São Paulo. "Há fofoca e jogada política em tudo o que falam por aí."

Segundo Pestana, Serra passou por um longo período de reflexão e decidiu permanecer no PSDB. "Na hora certa, ele saberá o caminho que terá no partido. Isso (quando se fala que Serra faz movimentações fora do acordo feito com o senador), com certeza, é parte do jogo para desestabilizar a convivência dele com Aécio", afirmou o deputado, que preside o PSDB mineiro.

Respostas. Conforme os tucanos, a estratégia de reforçar a oposição tem surtido efeito, pois em várias frentes tanto Dilma quanto Lula foram obrigados a responder às críticas dos opositores - a exemplo dos ataques à condução da política econômica no atual governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.