Serra silencia e PSDB não tem o que oferecer

A 6 dias do prazo legal, ex-governador mantém segredo sobre futuro, mas com meio pé no PPS

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h10

Faltando seis dias para o prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral para que os candidatos a cargos eletivos em 2014 definam seus partidos, o PSDB vive um dilema.

As cúpulas nacional e paulista da sigla tentam evitar a saída do ex-governador José Serra, mas não têm o que oferecer para segurá-lo. "O caminho natural seria o Senado, mas quem controla o José Aníbal?", sintetiza um tucano graduado. Secretário de Energia de São Paulo, Aníbal já avisou que está disposto a enfrentar Serra em uma eventual prévia pela vaga.

Em 2012, o ex-governador venceu as prévias do PSDB e conquistou o direito de disputar a Prefeitura de São Paulo com 52,1% dos votos dos militantes. Seus concorrentes, o próprio Aníbal e o deputado federal Ricardo Tripoli, receberam, respectivamente, 31,2% e 16,7% dos 6.229 votos. Mas, segundo a avaliação de dirigentes do PSDB, Serra não tem mais o mesmo poder de mobilização que tinha naquela época, dentro da máquina partidária.

Ou seja: correria um sério risco de perder até mesmo a disputa interna. Uma intervenção vigorosa de Geraldo Alckmin poderia mudar esse cenário, mas o governador está sendo pressionado a usar a candidatura ao Senado para contemplar aliados na montagem de seu palanque.

Vaga única. Uma agravante é que, em 2014, apenas um senador será eleito. Ciente de que a saída de Serra seria um risco político incalculável para seu projeto presidencial, o senador Aécio Neves está empenhado em evitar que seu antigo rival interno mude de legenda. "Cada um do seu jeito, estamos todos empenhados nisso. Abri para o Serra todas as portas do partido em São Paulo. Ele ainda não disse que vai sair, nem afirmou que vai ficar. Sendo assim, me mantenho otimista", afirma o deputado federal Duarte Nogueira, presidente do PSDB paulista.

Na semana passada, o ex-governador esteve duas vezes no Palácio dos Bandeirantes. Nas duas ocasiões, teria garantido, segundo interlocutores, que estará no palanque de Alckmin, seja qual for sua decisão. Sobre seu futuro, disse apenas que ainda não resolveu nada ainda. Seus amigos mais próximos dizem, porém, que a decisão está tomada: ele fica no PSDB. E, lógico, há quem discorde.

"O peso político dele será muito maior fora do PSDB", avalia um cacique tucano. Especulações à parte, todos que falam de Serra se lembram de algo que ele sempre costuma dizer ao analisar cenários: "Sou pessimista na decisão e otimista na ação".

Enquanto não se define, o ex-governador mantém aberta a porta no PPS. O deputado federal Roberto Freire, presidente nacional do partido, se diz otimista com a chegada do ex-governador e disposto a esperá-lo até o limite do prazo legal definido pelo TSE para eleição de 2014.

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