Serra se beneficiou ao ligar mensalão a Haddad, dizem analistas

Cientista político afirma que disputa por segunda colocação ainda pode trazer surpresas

Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2012 | 16h29

O resultado da pesquisa Datafolha para a Prefeitura de São Paulo, divulgada nesta quinta-feira, 20, na qual o candidato do PSDB, José Serra, aparece com 21% das intenções de votos, seis pontos à frente do adversário do PT, Fernando Haddad, mostra que a tática de associar o petista ao julgamento do mensalão, adotada pela campanha tucana, está surtindo efeito, na avaliação de analistas políticos entrevistados pela Agência Estado. Além disso, para os analistas, a proximidade do primeiro turno desta eleição, no dia 7 de outubro, deixa pouca margem para grandes mudanças no cenário, porém, elas não podem ser descartadas.

Para o cientista político e pesquisador da PUC e FGV de São Paulo, Marco Antonio Carvalho Teixeira Carvalho Teixeira, a vantagem de seis pontos porcentuais do tucano José Serra nesta pesquisa, frente ao adversário petista, concede ao tucano uma margem de segurança na briga pela segunda colocação. Mesmo assim, ele prevê que a disputa pela segunda colocação ainda pode trazer surpresas e esquentar o cenário político. "O PT de Fernando Haddad deve partir mais para o ataque agora", prevê. O cientista político acredita que o escândalo do mensalão, utilizado na propaganda eleitoral de Serra contra Haddad, pode ter sido a principal razão da oscilação negativa do petista nessa pesquisa.

Em contrapartida, Carvalho Teixeira acredita que a menos de vinte dias das eleições, é muito pequena a margem de mudança que possa derrubar o favoritismo do líder isolado nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PRB, Celso Russomanno, que figura com 35%. "Um dos dados mais significativos da pesquisa Datafolha, no meu entender, é a consolidação de Russomanno (com 35%), em razão do bombardeio que ele sofreu por conta da briga envolvendo a Igreja Universal e a Igreja Católica".

Kuntz concorda com a análise, mas faz ressalvas com relação à possibilidade de aparecer algum fato marcante que possa alterar o atual cenário. "Essas três últimas pesquisas mostraram uma consolidação do quadro (com Russomanno na liderança seguido por Serra e Haddad). Tem de acontecer algo de muito impactante para que o cenário possa ser alterado. O que não se pode descartar é que até o último momento (do pleito) pode surgir um fato, uma denúncia", argumentou.

Para Kuntz, o quadro tornou-se mais complexo para Haddad, que já trouxe para sua campanha todos os seus padrinhos políticos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-prefeita Marta Suplicy e a presidente Dilma Rousseff, e viu a campanha de Serra associá-lo ao caso do mensalão. Ele avalia também que Haddad não se saiu bem no último debate, promovido pelo Estadão/TV Cultura/YouTube, no dia 17, no qual sofreu ataques dos outros candidatos. "O quadro é muito ruim para o Haddad. Todas as armas (que ele tinha para usar), foram usadas e não surtiram tanto efeito. Ou surtiram até certo ponto, mas o debate e os programas (do horário eleitoral dos adversários) seguraram (o crescimento)", afirmou Kuntz.

Outro ponto que Kuntz avalia como preocupante para a campanha petista é que com o julgamento do caso do mensalão em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), seu principal padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve sua influência na transferência de votos resvalada. "O nome do Lula está sendo muito veiculado (pela mídia) ligado ao mensalão. Ele é um transferidor de votos, mas hoje, ao mesmo tempo que pede votos, está sendo atacado (pelas denúncias do escândalo). O eleitor fica na dúvida", avaliou.

Kuntz afirmou também que a mudança no discurso de José Serra, que vem justificando a saída da Prefeitura em 2006, menos de dois anos após assumir o cargo, e garantindo que irá permanecer o mandato inteiro, caso eleito, está dando resultado. Ele alerta, no entanto, que o tucano não conseguiu retomar todos os votos que perdeu desde o início da campanha. "Ainda não conseguiu obter os 100% que acreditaram nele na última campanha, senão estaria na frente."

Para Kuntz, essa nova pesquisa, que teve 1.800 entrevistados, garante uma confiabilidade maior, já que analisa um universo maior. "Dá para fazer uma leitura mais ampla. Especialmente na reta final, especialmente num município do tamanho de São Paulo. Até diminuiu a margem de erro de 3 para 2 pontos porcentuais", afirmou.

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