Serra projeta disputa nacional em SP com embate de 'duas visões de Brasil'

Ao comunicar oficialmente ao PSDB seu interesse em participar da eleição em São Paulo, o ex-governador José Serra revelou o tom nacional que pretende dar à disputa e a intenção de polarizar com o PT. Ele afirmou que está em jogo o "futuro do País" e o embate "entre duas visões distintas de Brasil, duas visões distintas de administração dos bens coletivos, duas visões distintas de democracia, duas visões distintas de respeito aos valores republicanos". À noite, disse também ter levado em conta seu "amor" pela cidade: "É um sonho para mim voltar a ser prefeito de São Paulo".

BRUNO BOGHOSSIAN , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h02

Em Pernambuco, antes do comunicado oficial de Serra, a presidente Dilma Rousseff rebatia a tese de que a entrada do tucano vai nacionalizar a eleição paulistana. "Vocês dizem que nacionaliza. Essa é uma questão que tem de ser tratada em nível municipal. Eu participo do governo federal, sou presidenta da República. Não sou prefeita de São Paulo e nem tenho nenhum pronunciamento específico a fazer nesse sentido." A petista afirmou que sua função institucional não é se "envolver nas discussões eleitorais".

Carta. O tucano entregou ontem uma carta à executiva municipal do PSDB para justificar a decisão de entrar na disputa oito meses após o partido ter iniciado um processo interno para definir a candidatura: "É aqui, neste ano, que se travará uma disputa importante para o futuro do município, do Estado e do País".

O ex-governador afirma no texto que tomou a decisão após refletir sobre "a situação do País, os dissabores que o processo democrático tem enfrentado diante do avanço da hegemonia de uma força política", e o peso de São Paulo nesse processo. Serra, no entanto, não mencionou o PT. Na carta, ele diz que definiu sua pré-candidatura após ouvir os argumentos do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB), além de amigos, eleitores, parlamentares e dirigentes de outros partidos.

"Aprendi a reconhecer que o interesse coletivo se sobrepõe, sempre, aos planos pessoais daqueles que abraçaram de fato a causa pública", escreveu. "Ao me apresentar para a disputa, vou ao encontro de um chamamento da minha própria consciência: quero ser prefeito de São Paulo porque acho que esta imensa cidade cobra o que de melhor o nosso partido e os nossos parceiros têm a lhe dar."

O ex-governador afirma que, após as eleições presidenciais de 2010, concentrou suas atenções e seu trabalho político "nas questões nacionais", em seus artigos, palestras e seminários.

Presidência. Serra evitou qualquer menção a ambições futuras, como a Presidência da República. Disse que saberá "honrar a indicação e, posteriormente, o mandato", se for escolhido pela sigla. "Não fujo à luta nem fujo às minhas responsabilidades."

Kassab diz a seus interlocutores ter ouvido de Serra que ele abandonou o projeto presidencial. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ao Estado que, com o dinamismo da política, é impossível fazer previsões e que, ao voltar à cena política, Serra se fortalece (leia abaixo). "Se ele entrar na disputa e vencer, acredito que será prefeito por no mínimo quatro anos - se possível oito", disse o presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini.

Serra disse na carta ser favorável à prévia do PSDB e solicita sua inscrição na disputa interna. A cúpula tentava, até ontem à noite, definir uma nova data para a disputa, marcada para domingo. Serra disse que só fala hoje com a imprensa sobre a disputa.

"Adotamos um caminho diferente do adotado pelos nossos adversários, como o PT, que mudou o rumo de sua história", alfinetou Semeghini, referindo-se a escolha de Fernando Haddad por acordo, sem disputa interna.

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