Serra e Record se acusam sobre debate

Emissora cancelou evento que estava agendado para segunda-feira e abriu embate entre Celso Russomanno (PRB) e seus adversários

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h10

O cancelamento do debate da TV Record com os candidatos à Prefeitura de São Paulo, que estava agendado para a próxima segunda-feira, 1º, abriu um embate entre Celso Russomanno (PRB) e seus principais adversários na disputa. José Serra (PSDB) acusa a emissora de proteger o candidato do PRB e Fernando Haddad (PT) afirma que Russomanno desrespeita os eleitores ao se recusar a participar de encontros com rivais.

Em nota, a Record informou que Russomanno não poderia comparecer porque "na mesma data, por previsão médica, deve nascer o seu filho". Também disse que "os responsáveis pela campanha de José Serra não responderam aos convites para a negociação de regras e acordos do debate".

O tucano negou a informação e insinuou que o verdadeiro objetivo da emissora, ao cancelar o debate, teria sido evitar a exposição do candidato do PRB, que lidera as pesquisas de intenção de voto e se tornou alvo de ataques dos adversários nas últimas semanas.

O PRB é controlado por ex-dirigentes da TV Record e membros da Igreja Universal, proprietária da emissora. O presidente nacional da sigla e coordenador da campanha de Russomanno, Marcos Pereira, já presidiu a emissora e é bispo licenciado da igreja neopetencostal.

"Eles (TV Record) estão querendo defender o Russomanno, que não quer debater, então estão inventando isso. Não houve negativa. A Record cancelou o debate para proteger o Russomanno", disse Serra após caminhada no Tatuapé, na zona leste.

Haddad também atacou Russomanno e lembrou que não se trata do primeiro debate ao qual o líder nas pesquisas se nega a comparecer. O candidato do PRB já havia faltado aos encontros organizados pelo jornal Folha de S. Paulo e portal UOL e pela Arquidiocese de São Paulo.

Para o petista, a justificativa apresentada por Russomanno, de que o nascimento de sua filha ocorrerá no dia do debate, não é suficiente. Na nota, Haddad afirmou que a data poderia ter sido modificada, em negociação com as demais campanhas, para acomodar a agenda pessoal do líder nas pesquisas.

"Achei muito ruim para a cidade. Se há da parte dele (Russomanno) um impedimento, que ele já conhecia há muitas semanas, sabia da coincidência de datas, vamos tentar adiar um dia. Tenho certeza que a Record toparia", disse, após caminhada em Santana, na zona norte.

Além de criticar Russomanno, Haddad alfinetou Serra, que segundo a Record não teria confirmado a sua presença. "(O debate) seria oportuno para ambas as candidaturas, já que os dois candidatos, a onze dias das eleições, não apresentaram programas detalhados ou metas de governo para São Paulo", disse.

Documento protocolado pela Record na Justiça Eleitoral no dia 17 de setembro registrou as regras com as assinaturas de representantes de seis das oito campanhas - incluindo as equipes de Russomanno e Haddad, mas sem o aval do time de Serra. Segundo a legislação eleitoral, o formato de um debate televisivo precisa ser aprovado por somente 2/3 dos participantes.

A campanha do PSDB rebateu as declarações da Record: confirmou que não participou de reuniões, mas alegou que conversou anteontem com representantes da emissora sobre as regras e não expôs nenhuma objeção ao formato do encontro.

"A campanha do PSDB jamais disse que não participaria do debate da Record. Quem afirma o contrário está mentindo", disse Fábio Portela, coordenador de imprensa de Serra.

Segundo ele, o tucano participará de um novo debate, caso a Record remarque o encontro com as mesmas regras.

BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION, FELIPE FRAZÃO e PEDRO DA ROCHA

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