Serra diz que Haddad quer fim de AMA

Campanha tucana alega que adversário é contra gestão na saúde por organizações sociais; petista nega que vá extinguir unidades de saúde

BRUNO BOGHOSSIAN, FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h47

A campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo afirmou ontem que o petista Fernando Haddad quer acabar com o sistema de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA). O objetivo dos tucanos é tentar colar no PT a intenção de extinguir a gestão de unidades de saúde por Organizações Sociais (OSs) - entidades privadas que firmam convênios com a administração municipal para gerenciar as AMAs. Haddad nega que vá acabar com as parcerias e afirma que manterá os contratos das OSs.

Serra intensificou a exploração do tema neste 2.º turno. Ontem, sua equipe divulgou na internet mensagens em que afirma que a proposta de Haddad de criar a Rede Hora Certa vai "acabar com as AMAs e fazer São Paulo retroceder ao caos dos tempos do PT". O texto foi publicado no site oficial do tucano, na página de sua campanha no Facebook e em sua conta no Twitter.

"Quem você escolheria para cuidar da saúde em São Paulo? O maior ministro da Saúde que o Brasil já teve ou o pior ministro da Educação de todos os tempos?", escreveu a campanha do PSDB.

Ao usar o exemplo concreto das AMAs no debate sobre a gestão pública por OSs, os tucanos tentam aproximar o tema do eleitorado, que poderia não entender o modelo de administração.

O programa de governo petista prevê, na página 45, "retomar, sem prejuízo dos condicionantes contratuais legais e após providências administrativas necessárias, a direção pública da gestão regional e microrregional do sistema municipal de saúde". Os tucanos sustentam que este tópico indica a intenção de encerrar todos os convênios com OSs.

Os petistas afirmam que pretendem manter as AMAs e integrá-las às novas unidades da Rede Hora Certa - centros de atendimento e diagnóstico que seriam construídos em cada região da cidade. Sobre as OSs, dizem que todos os contratos serão mantidos e que as parcerias só serão revistas após o fim de cada convênio.

Haddad afirmou ontem que a informação propagada pelos tucanos é "falsa" e que Serra tenta "confundir a opinião pública".

"Deixando claríssimo: sou a favor de parcerias na área da saúde, como sou na área de educação. O Prouni é uma parceria público-privada", afirmou Haddad. "Eu incluí no fundo de financiamento da educação as creches conveniadas e as escolas especiais particulares. Como posso ser contra a parceria público-privada? Jamais serei. Na área da saúde tampouco. Manterei os contratos".

O petista afirmou que, antes de pensar sobre expandir as parcerias, aumentará a transparência e o controle dos gastos com a OSs, como manda um acórdão do Tribunal de Contas do Município.

"Os termos estando claros, todo mundo tendo segurança de que o modelo pode prosperar, não vejo nenhum óbice", disse.

Serra defende a gestão das unidades de saúde por OSs. "É uma modalidade que tem ajudado a avançar a saúde no município e no Estado. Na minha gestão na Prefeitura, eu vou defender essa forma de organização e vou aprofundar", disse o tucano ontem. "(O PT) é contra essa parceria. Isso coloca em risco o sistema de saúde de São Paulo." Em campanha, o candidato do PSDB prometeu construir 20 novas AMAs e elevar de 17 para 47 o número de unidades 24 horas.

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