Serra diz que eleição é 'fundamental para o Brasil'; rivais criticam prefeito

Quase todos os candidatos a prefeito de São Paulo começaram ontem a campanha oficial em atos políticos no centro. Enquanto o tucano José Serra, defensor da gestão Gilberto Kassab (PSD), ressaltou a importância da sucessão paulistana para o País, os adversários apontaram problemas e criticaram a administração.

O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2012 | 03h02

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Serra voltou a dar dimensões nacionais à disputa local e enfatizou o enfrentamento com o PT e o governo federal: "Vamos ter em mente que o que acontece em São Paulo é fundamental para o que acontece no Brasil", disse.

O tucano quis responder a afirmações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a eleição em São Paulo está "polarizada e nacionalizada" e de que o PT precisa derrotar os tucanos. "O que está em jogo aqui é o futuro de uma administração, mas também o futuro do sistema democrático, que respeita as oposições, que não malversa dinheiro público, que respeita a liberdade de imprensa", afirmou Serra.

O candidato de Lula, Fernando Haddad, reuniu 5 mil pessoas - segundo a Polícia Militar e o PT - na Praça do Patriarca e fez caminhada tumultuada até a Sé. Do alto de um trio elétrico, Haddad criticou Serra, que optou por fazer um lançamento fechado no Edifício Joelma. "Não temos medo do povo e não vamos sair das ruas (na campanha)", alfinetou.

Avaliação. Um dia depois de autoavaliar como perfeita a sua própria gestão (dando-se nota 10 pelo esforço e dedicação da equipe), Kassab virou alvo dos candidatos. Haddad disse que a nota correta seria 3,6, porque o prefeito cumpriu 36% (81) das 223 metas assumidas no segundo mandato, em 2009.

Gabriel Chalita (PMDB) disse que Kassab faz piada com o que deveria ser levado a sério, porque foi ele mesmo quem propôs o plano de metas da gestão. "Isso é brincar com a população, é fazer com que a política seja uma chacota, da mesma forma que ele deu 10 para a implosão que ele não implodiu", disse, lembrando da implosão malsucedida de um edifício em 2011.

Chalita optou por ir à periferia da zona sul. Em reduto do PT e do vereador Milton Leite (DEM), que foi do PMDB, ele subiu o morro da Chácara Bananal, onde passou por um pequeno lixão ao lado de casas numa encosta em área de risco. "Há algum tempo essas cidades periféricas e invisíveis estão abandonadas pelo poder público", disse Chalita. Ligado à corrente da renovação carismática católica, ele rezou agachado o pai-nosso - em coro com um grupo de crianças.

Celso Russomanno (PRB) resolveu andar de metrô e debater nas ruas os problemas do transporte público na capital. "Se a gente não oferecer transporte de qualidade, ninguém vai deixar o carro em casa", pregou. Russomanno encontrou no Pátio do Colégio a candidata do PPS, Soninha Francine. Ele desejou boa sorte à adversária, que respondeu com ironia: "Boa sorte, mas não muito, né, candidato?".

Paulinho da Força (PDT) entrou na discussão da Educação com críticas ao mecanismo da progressão continuada - aprovação automática de alunos que não conseguiram nota mínima na rede pública. Ele caminhou pelo Brás por cerca de 1h30 com sindicalistas.

O candidato do PSOL, Carlos Giannazi, deu uma aula pública na Praça do Ciclista. Ele discursou contra o financiamento de campanhas por empreiteiras, que, segundo ele, coloca as políticas urbanísticas a serviço dos interesses do mercado imobiliário. Giannazi disparou contra adversários que se apresentam como "novidade". "É novo só na cara e na faixa etária", disse Giannazi. "O Haddad é o velho com Maluf. O Chalita está com Michel Temer, Fleury Filho. O PMDB é o que existe de mais atrasado e todos tentam imitar, como o PSD, PSB e PDT." / BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION, DAIENE CARDOSO, DÉBORA ÁLVARES, FELIPE FRAZÃO, GUILHERME WALTENBERG e ISADORA PERON

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