Serra diz que adversário vai 'aparelhar' gestão com fim de parcerias

Para tucano, petista quer encerrar modelo das organizações sociais para nomear correligionários em cargos da Prefeitura

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2012 | 03h05

A campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo passou a acusar o PT de defender o fim das creches gerenciadas por entidades privadas em convênio com a rede municipal de educação. O tucano disse ontem que o partido de seu adversário no 2.º turno, Fernando Haddad, pretende encerrar os contratos as organizações sociais (OS) para a educação infantil.

O ataque de Serra faz parte de uma estratégia para atribuir aos petistas a intenção de interromper serviços públicos implantados na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), aliado do tucano. Nas últimas duas semanas, Serra intensificou uma campanha que afirma que Haddad vai fechar unidades de saúde administradas por OS.

O tucano afirma que os petistas pregam a extinção dos convênios com entidades de saúde e educação para aparelhar o governo e "empregar os companheiros".

O plano de governo de Haddad não prevê o fim dos convênios na educação infantil. A página 57 do documento apresentado pelo petista cita como um dos modelos para a expansão das vagas em creches as "parcerias" com "entidades comunitárias conveniadas".

Serra atribuiu à equipe de Haddad a intenção de encerrar convênios com creches. Segundo o tucano, uma assessora do coordenador da campanha do petista, Antonio Donato, teria apresentado a proposta durante a Conferência Municipal de Educação, em junho de 2010.

"O PT, há pouco mais de um ano, apresentou uma proposta no conselho municipal para extinguir as creches conveniadas, porque tem que empregar os companheiros", afirmou o candidato do PSDB, durante visita ao Shopping Boulevard Tatuapé, na zona leste da capital. "Isso foi feito pelo próprio presidente do PT municipal, chefe da campanha de Haddad", disse.

A campanha de Serra vai explorar o tema nos últimos dias antes do 2.º turno. Dirá que os petistas defendem o fim das creches conveniadas e apontarão que a proposta provocaria o encerramento do atendimento de crianças.

Desde o início do 2.º turno, os tucanos fazem um movimento para colar a Haddad a intenção de encerrar parcerias entre entidades privadas e unidades de saúde - em especial hospitais e o sistema de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA).

Em uma entrevista em novembro, Haddad criticou o que chamou de "privatização" da gestão da área de saúde e defendeu a administração de hospitais públicos "pelo poder público". Durante a campanha, entretanto, afirmou que pretende manter os convênios e ampliar sua fiscalização.

Serra criticou a postura dos adversários. "Eles têm duas caras. Defendem uma posição, que é a que vão seguir. Na hora que veem que não pega bem, dizem o contrário", afirmou. "As pessoas têm que ter uma cara só. Eu tenho uma cara, uma posição, e isso deixo sempre com clareza."

O tucano alegou que Haddad não é fiel ao que diz. "Aí não é um problema de versões, é um problema do que está dito. Ele disse uma coisa e agora viu que pegou mal e está dizendo o contrário", disse. / RICARDO CHAPOLA

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