Serra diz que 2010 está longe, mas admite diálogo com PMDB

PMDB foi o grande vitorioso da corrida municipal e é cortejado tanto pelos governistas como os oposicionistas

Roberto Godoy e Guilherme Scarance, de O Estado de,

27 de outubro de 2008 | 18h14

Embora garanta que "2010 está mais longe do que parece" e insista em que não está "focado" na corrida presidencial, o governador de São Paulo, José Serra, admite: "Existe um diálogo do PSDB com o PMDB, isso é indiscutível." O PMDB foi o grande vitorioso da corrida municipal e é cortejado tanto pelos partidos governistas como de oposição ao governo Lula. Ao fazer um balanço do resultado das urnas e comentar outros temas da atualidade, em entrevista exclusiva à TV Estadão nesta segunda-feira, 27, ele disse: "Mostrou que ninguém tem o monopólio da verdade e do voto. A eleição sublinhou a pluralidade, a diversidade da vontade do eleitorado."  Veja também:TV Estadão: Assista à entrevista exclusiva de José Serra Represento o PMDB que quer Serra presidente, diz QuérciaTV Estadão: Assista a análises e entrevistas Blog da Eleição: Confira os principais momentos da apuração   Mapa eleitoral do 2.º turno  PMDB leva maior número de prefeituras e será a 'noiva' de 2010  "Não há negociação (com o PMDB), porque nós não estamos negociando 2010. Agora, temos proximidade com muitos setores do PMDB. Quando fui candidato em 2002 tive o apoio do PMDB, na eleição presidencial. E há proximidade, até em alguns casos mais pessoal do que política. Existe um diálogo do PSDB com o PMDB, isso é indiscutível, existe. Não há uma situação de afastamento, nem de grande aproximação. Temos boas pontes no PMDB", disse Serra. Ainda sobre as eleições deste ano, o governador de São Paulo voltou a dizer que as urnas mostraram que "ninguém tem o monopólio da verdade nem do voto". "A eleição sublinhou a pluralidade, a diversidade da vontade do eleitorado. Esse é o aspecto mais importante. Se for olhar o conjunto do Brasil e também o que aconteceu no primeiro turno, você vê que o povo votou na diversidade, não concentrou os votos, não deu a ninguém o monopólio, ninguém tem monopólio da política brasileira", afirmou. Crise econômica Serra afirmou também que haverá um impacto da crise internacional no Brasil sobre o emprego e a produção, mas que o Estado está preparado para enfrentar uma situação adversa no caso de queda na receita. "Estamos tomando todo o cuidado para manter um padrão de austeridade que nos permite enfrentar situação de tempestade no caso de queda na receita. Não fizemos lambança com o gasto público. Temos um padrão austero de administração, uma arrecadação eficiente do ponto de vista técnico. Estamos preparados para enfrentar situações adversas e acredito que a prefeitura também", afirmou.  Questionado se o Estado pode criar alguma ferramenta para dar suporte a empresas, Serra explicou que instrumentos de crédito são exclusividade do governo federal "e é correto que seja assim". No entanto, diz que tem atuado na área tributária. "Mas é um instrumento bastante limitado, até porque o Estado também não pode prescindir de receita tributária porque tem de pagar o funcionalismo. E a folha de salários do funcionalismo é da ordem de R$ 40 bilhões por ano, direta ou indiretamente. Mas, na medida do possível, nós temos atuado e vamos continuar fazendo", afirmou. Também disse que mantém um nível de investimentos elevado.  Segurança Serra disse que "nunca deixou de conversar, ouvir e receber sugestões" para encerrar a crise com a Polícia Civil paulista. E destacou que, no que depender de sua vontade, o imbróglio seria resolvido ainda hoje, com o envio de projeto do governo para a Assembléia Legislativa. "Mas, pelo rumo dos fatos, não posso prever", destacou. Disse que pela sua vontade, a crise acabaria amanhã.  O governador negou que deixou de conversar e receber sugestões da polícia. "Tem um projeto na Assembléia que o governo mandou que foi o resultado de muitas conversas. O governo nunca deixou, ao contrário do que se propala, de conversar, de ouvir, de receber sugestões. Mandamos um projeto para a Assembléia e eu espero que em torno desse projeto se crie uma situação de paz, de fim da greve e de trazer tranqüilidade para o povo de São Paulo. A área da segurança é muito importante para isso", disse.

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