Serra critica 'vale-tudo' por tempo de TV

Preterido na disputa por Maluf, tucano diz que não mudaria política de alianças por alguns minutos

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h02

O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, afirmou ontem ser contrário ao "vale-tudo" na formação de alianças. O tucano - que fechou acordos com PSD, DEM, PR e PV - disse que não mudaria sua política de alianças por mais minutos no horário eleitoral. O PSDB chegou a negociar apoio do PP de Paulo Maluf, mas foi preterido pelo partido que fechou aliança com o PT.

"Claro que ter mais tempo de TV é bom, mas não vale tudo", afirmou. "O tempo que nós temos já é bem razoável."

Serra evitou comentar as críticas feitas pela deputada Luiza Erundina ao acordo do PT com Maluf. "É um problema de outros partidos. É a população que tem que analisar, julgar e avaliar", disse. Os tucanos negociavam com Maluf um apoio do PP a Serra, mas não conseguiram chegar a um acordo. O deputado queria indicar imediatamente um novo secretário de Habitação do Estado, mas não foi atendido pelo governador Geraldo Alckmin.

No início do mês, o PSDB fechou uma aliança com o PR de Valdemar Costa Neto, ex-presidente da legenda e réu no processo do mensalão. A sigla se distanciou do PT no governo federal depois da demissão de Alfredo Nascimento (PR) do Ministério dos Transportes.

A equipe de Serra acredita que a deserção de Erundina vai prejudicar a imagem da candidatura petista. Para o deputado estadual Orlando Morando (PSDB), da equipe tucana, o episódio reforça a imagem da aproximação entre o PT e Maluf. "É um grande problema para a chapa Haddad-Maluf", resumiu.

O deputado federal Walter Feldman, que também integra a equipe de campanha, afirma que a saída de Erundina da chapa coloca os petistas na contramão de uma figura ética. "A Erundina é uma mulher muito digna. Ela achou que (a aliança com Maluf) era exigir demais do que ela construiu em termos de imagem pública", disse o parlamentar. "A saída dela da chapa é uma avaria forte no barco do Haddad."

Chalita. O deputado Gabriel Chalita (PMDB) mudou seu tom ameno ao PT na pré-campanha para a Prefeitura. Depois de tentar e não conseguir novas alianças partidárias (mesmo com a vice na chapa em aberto), Chalita atacou o troca-troca de cargos por apoio eleitoral. Há três dias, o PT cedeu a Secretaria de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades a um aliado de Paulo Maluf (PP). Em contrapartida, ganhou a adesão a Haddad.

"Os acordos feitos são indecentes. É desonesto", bradou Chalita na abertura de um jantar de arrecadação de recursos do PMDB. Integrante de um partido aliado aos governos Lula e Dilma, ele evitou focar o PT e centrou fogo em Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB) - criticados por suposto "uso da máquina da Prefeitura". / ALFREDO JUNQUEIRA, BRUNO BOGHOSSIAN e FELIPE FRAZÃO

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