Serra critica 'kit gay' federal e defende material do Estado

Candidato se irrita ao ser questionado sobre caderno produzido em sua gestão; campanha deve agora tentar retirar tema da pauta

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2012 | 03h10

O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, defendeu ontem o material elaborado em sua gestão no governo do Estado para o combate à homofobia nas escolas e tentou se desvincular do debate sobre o chamado "kit gay" criado pelo Ministério da Educação (MEC) na gestão de Fernando Haddad (PT), seu adversário no 2.º turno da disputa.

O tucano se irritou ontem com dois jornalistas que fizeram perguntas sobre o material lançado quando ele era governador. Serra disse que os repórteres não leram a cartilha e os acusou de tentar beneficiar o PT.

O candidato voltou a dizer que a cartilha criada quando era governador, em 2009, era direcionado apenas para orientar professores e que era mais abrangente do que o material elaborado a pedido de Haddad, no MEC.

"Eu não tenho nenhum problema com essa questão, nenhum mal-entendido. Foi feito um trabalho desde 1996, e a cada ano renova o material. Nunca houve problema, nunca houve contestação. Foi feito para professores. Agora ele (Haddad) entrou numa trapalhada e tem que perguntar para ele", disse o tucano.

Quando ouve perguntas sobre o assunto, o tucano mantém críticas ao "kit gay" de Haddad, mas tenta se desvincular do tema. "Eu nunca levantei o assunto. Eu sempre fui perguntado pela imprensa", disse Serra ontem, ao SPTV, da TV Globo.

Parte da coordenação de campanha de Serra acredita que a discussão sobre o tema não beneficia o tucano e que mesmo as críticas feitas por pastores evangélicos ao material do MEC podem colar ao candidato do PSDB uma imagem de político conservador.

Um grupo de aliados defende que Serra abandone o tema aos poucos e que, por enquanto, destaque os pontos positivos do material de combate ao preconceito desenvolvido no Estado.

Serra criticou o material desenvolvido pelo MEC pela primeira vez na campanha em agosto, em resposta a jornalistas durante uma entrevista na rádio Jovem Pan. Na ocasião, ele disse que o kit tinha "aspectos ridículos e impróprios".

Há duas semanas, o pastor Silas Malafaia atacou o material de combate à homofobia de Haddad e declarou apoio a Serra. Na semana seguinte, o tucano se encontrou com o líder religioso. Sua equipe fez um acordo com Malafaia para que Serra se desvinculasse dos ataques.

Contra-ataque. Em entrevista à rádio CBN na manhã de ontem, Serra se irritou com o jornalista Kennedy Alencar, que comparou o material desenvolvido pelo MEC à cartilha elaborada pelo governo tucano em São Paulo.

Kennedy perguntou se as críticas de Serra ao material de Haddad eram "conveniência eleitoral" ou se o tucano havia se tornado um "político conservador".

"Você leu a cartilha do Estado? Você leu inteira?", perguntou o tucano. "As cartilhas são completamente diferentes."

O candidato do PSDB também acusou o jornalista de tentar beneficiar o PT. "Eu sei que você tem suas preferências politicas, mas modere-se, Kennedy", disse o tucano, em referência indireta ao fato de o jornalista ter trabalhado em uma campanha eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra se irritou também com uma repórter do portal UOL que fez uma pergunta sobre o material elaborado em seu governo. O tucano também insinuou que a jornalista tentava beneficiar seu adversário. "Vai com o Haddad e trabalha com ele. É mais eficiente", disse o candidato. / BRUNO BOGHOSSIAN e RICARDO CHAPOLA

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