Serra cria cortina de fumaça com 'kit gay', diz Haddad

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 12, que seu adversário tucano, José Serra, tenta trazer à eleição municipal o debate sobre o kit anti-homofobia, editado quando o petista comandava o Ministério da Educação, com o objetivo de criar uma "cortina de fumaça" para desviar o debate sobre a gestão de Gilberto Kassab (PSD), que apoia o tucano.

BRUNO LUPION, Agência Estado

12 de outubro de 2012 | 15h45

Em vídeo distribuído na quinta-feira, 11, o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, apoiador de Serra, voltou a relacionar Haddad ao kit anti-homofobia, apelidado de "kit gay" por setores evangélicos. Segundo Malafaia, Haddad "deu grana para ativistas gays fazerem esse lixo moral para ensinar homossexualismo (nas escolas)". O material acabou vetado pela presidente Dilma Rousseff a pedido da bancada evangélica.

Após participar de missa na Obra Social Dom Bosco de Itaquera, zona leste, em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, comandada pelo padre Rosalvino Morán Viñayo, Haddad afirmou que não assistiu ao vídeo de Malafaia, mas disse ter certeza de que Serra estaria por trás da iniciativa. Na terça-feira, 9, após se reunir com o tucano, Malafaia disse que ia "arrebentar" o petista.

"Tudo isso aí é o Serra. Ele fez isso com a Dilma (na campanha presidencial de 2010), ele vai fazer isso comigo. Ele tem um exército na rede social que promove o ódio. É a mesma estratégia de 2010. Só que deu errado. O que ele (Serra) tinha que entender é que esse tipo de prática vai dar errado", afirmou o petista.

Haddad, de formação cristã ortodoxa, estava acompanhado do candidato derrotado do PMDB, Gabriel Chalita, que o apoia no segundo turno. Ex-coroinha, Chalita tem bom trânsito na Igreja Católica e trabalha para conseguir votos para Haddad nessa seara.

Durante a maior parte do culto, Haddad, que em seus discursos tem enfatizado a necessidade de separar política e religião, manteve uma posição rígida, com o semblante fechado e as mãos cruzadas à frente do corpo, enquanto sua mulher, Ana Estela, e Chalita, ambos à vontade, cantavam hinos católicos e agitavam os braços. Ao final, o petista rezou um pai nosso e comungou.

Questionado por jornalistas, Haddad negou que sua presença na missa contrarie seu discurso em defesa do Estado laico. O petista disse que, desde o início da campanha, tem participado de cerimônias de várias religiões, como a solenidade muçulmana do fim do Ramadã e uma visita a uma sinagoga para celebrar o ano novo judaico. "Acho importante para a cidade a sinalização de que o poder público vai respeitar a fé do povo, qualquer que seja ela", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
SerraHaddadkit gaydebate

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.