Serra aposta em vitória tucana e defende 'enxugar' cargos comissionados

Senador eleito propõe que servidores tenham formação comprovada para trabalhar na administração federal e diz que quadro atual foi preenchido por pessoas 'da máquina' do PT

Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 13h40

São Paulo - O senador eleito José Serra (PSDB) criticou o número elevado de cargos de confiança no governo Dilma Rousseff. Após votar neste domingo, 26, no colégio Santa Cruz, na zona oeste da capital, indagado sobre quais ministérios devem passar por um enxugamento do quadro de cargos de confiança, Serra declarou: "Você tem de cara 25 mil cargos de confiança no governo federal, em Brasília. Uma boa parte desses cargos ocupados por apadrinhados políticos, parentes, gente da máquina do partido e coisas assim. Eu defendo de cara a ideia de que esses cargos só devem ser preenchidos por certificação."

O tucano disse que os escolhidos devem ter formação comprovada. "Por exemplo, na área da saúde você tem que ter pessoas com currículo, com diplomas, com experiência de trabalho nessa área, ou seja, você não vai ter mais livre nomeação. Você pode ter pessoas que não façam concurso, o que eu acho que é o caso, esses 25 mil cargos não são para concursados. Mas você tem que ter qualificação para poder ocupá-los. Isso já vai poder representar um avanço tremendo."

Durante a campanha eleitoral, o candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, defendeu o corte de cargos comissionados como uma de suas propostas para reduzir custos do governo federal com a estrutura administrativa. Em agosto, o Estado calculou que a proposta geraria economia de 0,4% na folha de pagamento dos servidores civis ativos do Poder Executivo.

O senador eleito afirmou estar otimista com a vitória do candidato Aécio Neves. Para Serra, 25 mil funções de livre nomeação é "muita coisa, coisa muito alta". "Vamos enxugar isso. Essa será uma primeira medida, sem dúvida."

Questionado se numa eventual vitória do PSDB ele ocupará algum ministério, Serra foi mais cauteloso. "Não ganhamos ainda", esquivou-se. Mas em sua entrevista, o tucano empolgou-se ao projetar como seria um eventual gestão Aécio Neves. "Nós vamos ter, com o Aécio, um governo de mais qualidade. No que se refere a saber governar. Esse é um problema sério, que está afetando o Brasil nos últimos anos."

Serra também defendeu maior equilíbrio nas contas públicas e uma trajetória de recuperação da indústria. "O País está se desendustrializando nos últimos anos e a gente vê a consequência disso com clareza e nos resultados do déficit de conta corrente. São os desafios econômicos muito sérios pela frente, sem falar da inflação que está incomodando."

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