Serra aponta aliança com ditaduras; Dirceu vê 'princípios'

Em seus blogs, tucano atacou a postura de Dilma, enquanto petista disse não haver razão para críticas à presidente

O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h06

O ex-governador José Serra (PSDB) e o ex-presidente do PT José Dirceu manifestaram ontem posições divergentes a respeito das declarações da presidente Dilma Rousseff sobre direitos humanos em Cuba.

Em seu blog, Serra escreveu um texto intitulado Direitos Humanos: o mau e o bom exemplo, no qual critica Dilma e elogia o ex-presidente americano Jimmy Carter. Para Serra, "em matéria de direitos humanos o atual governo manteve-se na linha do anterior, de aliança fraterna com ditaduras e ditadores" - uma referência ao governo Lula.

Em Cuba, Dilma não fez críticas diretas ao regime em relação a violações de direitos humanos, mas citou a base que os Estados Unidos mantêm no país em Guantánamo. "A presidente Dilma esteve em Cuba e não quis fazer nenhum gesto em defesa dos direitos humanos na ilha. Se fosse orientado, o Itamaraty teria encontrado a forma de o governo brasileiro expressar pelo menos sua preocupação com o assunto - não lhe faltaria imaginação diplomática", declarou Serra. O tucano citou a morte do preso político Wilman Villar, que morreu no mês passado após uma greve de fome.

O ex-governador citou a importância de "gestos de solidariedade internacional para frear o arbítrio" ao mencionar sua experiência como perseguido político. Falou, então, do período em que esteve exilado nos Estados Unidos, nos anos 70, e do "gesto exemplar" feito na época por Carter. " Já na sua campanha eleitoral, em 1976, ele anunciara mudanças na política norte-americana nessa área; depois de eleito, cumpriu a palavra", disse Serra.

Dirceu, também em blog, defendeu a posição de Dilma no texto Declarações da presidenta Dilma em Cuba demarcam nossa política externa. O petista concordou com a presidente, para quem o tema dos direitos humanos deve ser analisado sob uma ótica "multilateral".

"A defesa dos direitos humanos feita pela presidenta, a cobrança para que sejam respeitados e o combate aos que os desrespeitem valem para todos os países. Inclusive para os Estados Unidos, que mantêm, há décadas, a ignomínia da base de Guantánamo, enclave que ocupam em território cubano", afirmou Dirceu, que se exilou em Cuba durante a ditadura militar brasileira. "Nada demais, ou que justifique tantas críticas."

Para Dirceu, Dilma, "quando citou a não intervenção de um país nos assuntos internos dos demais, reafirmou, de novo, a defesa de princípios que ainda governam o mundo, como a autodeterminação dos povos e a soberania a que têm direito todas as nações."

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