Serra ainda enfrenta rusgas da prévia tucana

Executiva municipal bate de frente com posições de tucano em relação a vereadores que deixaram sigla e cessão de terreno ao Instituto Lula

BRUNO BOGHOSSIAN, ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h08

Duas decisões da executiva do PSDB paulistano colocaram o partido na contramão de seu pré-candidato à Prefeitura, José Serra. O ex-governador enfrenta resistências no grupo desde sua entrada tardia nas eleições e devido a sua proximidade com o prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD).

Em uma reunião na noite de segunda-feira, os tucanos aprovaram um manifesto contra a cessão de um terreno para o Instituto Lula na cidade e desistiram de votar a "anistia" a vereadores que deixaram o partido.

Serra, no entanto, havia dado sinais em sentido contrário: disse não ver "nada de mais" no projeto que concedia a área ao instituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pediu que os tucanos desistissem de processar os parlamentares que saíram do PSDB.

As duas propostas têm relação direta com o apoio de Kassab a Serra. O projeto que cede uma área no centro da capital ao Instituto Lula foi negociado pelo prefeito e patrocinado pelo PSD, apesar da forte oposição tucana.

Aliados relatam que Serra não apoia a cessão do terreno, mas evita repudiá-la para não criar um mal-estar com Kassab.

O manifesto do PSDB paulistano contra o projeto, no entanto, foi aprovado por unanimidade e divulgado anteontem. O partido afirma que a proposta de construção de um memorial da democracia no terreno "privilegiará a mitificação" de Lula.

Segundo revés. A dificuldade para aprovar a anistia aos vereadores que saíram do PSDB também representou uma derrota para Serra. Ele pediu que o partido desistisse do processo depois de ouvir queixas de Kassab.

Para o ex-governador, o movimento seria um gesto político de aproximação com o PSD e o PV, que estão prestes a declarar apoio a sua candidatura.

Na segunda-feira, a proposta foi apresentada ao comando tucano como um pedido pessoal de Serra. Seus aliados suspenderam a votação depois que identificaram uma chance de derrota.

O governador Geraldo Alckmin teria feito um apelo para que os tucanos chegassem a um acordo. Uma nova reunião foi convocada para ontem, mas a executiva não havia votado até o fechamento desta edição.

A executiva municipal do PSDB, que toma parte das decisões em nome da sigla, ainda não conseguiu se unir em torno da candidatura de Serra.

Aliados dos pré-candidatos tucanos derrotados na prévia, José Aníbal e Ricardo Tripoli, reclamam abertamente que Serra não os procurou para integrar a campanha e que, por isso, o partido permaneceria dividido.

O presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, nega atritos. "Não há nenhuma dificuldade. É um ponto polêmico que não podia ser votado se não estivesse amadurecido", disse.

A proposta de anistia aos vereadores que saíram do partido foi atacada também pelo presidente estadual do partido, Pedro Tobias. "Alckmin e Serra são passageiros. O partido é permanente", afirmou. "Eu tenho que defender o partido."

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