Serra agora fala em união, mas não cita Aécio em discurso

Ex-governador diz que problemas do passado estão 'zerados' e que apoiará o mineiro se ele for o escolhido para presidir o PSDB

JOÃO DOMINGOS, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2013 | 02h11

Sem citar o nome do pré-candidato tucano à Presidência Aécio Neves, o ex-governador paulista José Serra anunciou ontem sua renúncia à "passionalidade" para contribuir com o partido nas eleições de 2014. Ao ser questionado ao fim do evento se apoia o colega no comando do partido, Serra disse: "Se (Aécio) for o candidato do PSDB, claro que eu apoiarei". Já sobre a pré-candidatura do senador ao Planalto, Serra foi breve: "É um bom nome".

O ex-governador paulista não tem boas relações com o senador mineiro dentro do PSDB. Ele não compareceu anteontem, quando Aécio estava presente, ao seminário que o PPS realiza em Brasília. Deixou para discursar hoje. Serra considera que Aécio não se empenhou em sua segunda tentativa de chegar ao Planalto, em 2010. Sua votação em Minas, por exemplo, ficou bem abaixo do esperado. Ontem, ao falar aos aliados de oposição, Serra afirmou: "Na política, você não pode carregar paixões de passado para um momento presente. Você tem que se desfazer delas, até porque você precisa de energia para somar para o futuro".

Sem mencionar o nome de Aécio, disse que assume a missão de trabalhar pela união interna do partido, de forma a agrupar forças de oposição que podem convergir e vencer a eleição de 2014.

Disse que qualquer problema que tenha tido no passado não existe mais. "Para mim, está zerado. Eu sou esquentado, mas está zerado", afirmou. "Eu me proponho as trabalhar pela união de todas as forças", disse. "Para que o movimento seja vitorioso, temos que somar, trazer gente que está do outro lado, de boa-fé, para o lado de cá." Lembrou que muitos partidos que estão no governo Dilma podem mudar de lado. Indagado se fazia referência ao PSB, disse: "Não só ao PSB, mas a todos os outros que quiserem vir".

Serra afirmou que a oposição tem grande responsabilidade neste momento, pois precisa vencer a eleição, visto que "o PT renunciou a um projeto de Brasil moderno e justo para se fixar apenas no projeto de poder".

"A herança do atual governo do PT, que recebeu uma herança já muito ruim do governo Lula, deixará para o próximo dirigente uma herança próxima à da deixada pela ditadura de Figueiredo (o ex-presidente João Figueiredo) para Tancredo Neves e José Sarney, do mesmo padrão da herança de Fernando Collor para Itamar Franco. É desse nível a herança que eles vão deixar", discursou Serra em seminário promovido pelo PPS, sigla que tende a seguir com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), caso este saia candidato em 2014.

Para Serra, o Estado brasileiro foi capturado por um grupo. "O PT não hesitará em enfraquecer a democracia brasileira para se fortalecer. Esse grupo não aceita a independência dos poderes, a imprensa livre e a alternância de poder. Não aceita a liberdade de imprensa. O Estado brasileiro passou a virar propriedade privada, patrimonialismo sindicalista, patrimonialismo partidário."

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