Serra afirma que Dilma 'mal conhece' São Paulo

Candidato do PSDB ataca apoio de presidente a Haddad; petista diz que rejeição impedirá tucano de circular pela cidade

O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2012 | 03h09

Mensalão, José Dirceu, Paulo Maluf e recordes de rejeição. Empatados em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto em São Paulo, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) recorrem a ataques um contra o outro na disputa por uma vaga no 2.º turno da eleição municipal.

O candidato tucano fez ontem quatro ataques ao petista, na TV e na rua. Na propaganda eleitoral, tentou vincular Haddad a réus do escândalo do mensalão e criticou o PT por ceder um ministério à senadora Marta Suplicy como "moeda de troca" de apoio na disputa eleitoral. Em uma entrevista, disse ainda que a presidente Dilma Rousseff "mal conhece São Paulo" e tenta "meter o bico" na eleição municipal.

Irritado, Haddad ironizou as críticas de Serra, mas também manteve o tucano sob ataque. Disse que "a baixeza de Serra é conhecida" e que o candidato do PSDB tem uma rejeição tão alta que "daqui a pouco não vai poder circular pela cidade".

As equipes do tucano e do petista decidiram manter entre si o embate eleitoral, apesar de Celso Russomanno (PRB) liderar com folga as últimas pesquisas de intenção de voto. A menos de um mês do 1.º turno, Serra e Haddad pretendem ampliar a polarização da disputa entre PSDB e PT.

"Chegou o momento de politizar a disputa", afirmou Edson Aparecido (PSDB-SP), coordenador da campanha de Serra.

Haddad também decidiu, após reuniões com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesclar propostas para a cidade com "lembranças" sobre maus momentos das administrações do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Serra está desesperado, mas nós não vamos apanhar calados", disse o deputado Vicente Cândido (PT), um dos coordenadores da campanha de Haddad.

Lula e Dilma também aparecerão mais nos programas de TV do petista para impulsionar sua candidatura.

Mensalão. Os tucanos passaram a explorar o mensalão para tentar minar a imagem de Haddad. Depois de levar FHC à televisão para falar sobre o escândalo, a campanha de Serra vinculou ontem o nome de Haddad ao do ex-ministro José Dirceu, acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser o chefe da "quadrilha".

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, outro réu do mensalão, e o deputado Paulo Maluf (PP-SP), acusado de lavagem de dinheiro e aliado de Haddad, também aparecem na peça. "Sabe o que acontece quando você vota no PT?", questiona o comercial de TV de Serra. A resposta vem acompanhada da foto de Dirceu, Delúbio e Maluf: "Ele volta".

A campanha tucana também criticou a nomeação de Marta Suplicy para o Ministério da Cultura após sua entrada na campanha de Haddad. No programa de TV exibido ontem à noite, um ator diz que "São Paulo não é a casa da sogra para ser usada assim". Em depoimentos, supostos eleitores afirmam que "o esquema do PT é a troca de favores". / BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION, VERA ROSA e ISADORA PERON

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