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Serra adota discurso da ética para fazer frente a rivais eleitorais

Em evento, tucano deixou claro que nova estratégia é atacar indiretamente Haddad e Russomanno

Bruno Boghossian, de O Estado de S. Paulo - Atualizado às 23h49

10 de setembro de 2012 | 20h13

O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, adotou um discurso com foco na ética para tentar valorizar sua chapa e fazer frente a seus adversários na disputa eleitoral. O tucano subiu ao palanque de um evento organizado no comitê de sua campanha com o objetivo de promover o engajamento da militância de seu partido.

 

Serra e líderes do PSDB paulista destacaram o legado do partido no Estado e atacaram indiretamente os principais adversários na disputa: Celso Russomanno (PRB) e Fernando Haddad (PT).

 

"É preciso governar com ética. Outro dia, um candidato disse que o importante é a ética do indivíduo, como se a ética do partido não fosse importante. Isso é inclusive uma ignorância filosófica", disse Serra. O tucano criticava uma afirmação feita por Haddad em entrevista à TV Estadão, no fim de agosto, quando disse que a condenação do petista João Paulo Cunha por envolvimento no escândalo do mensalão não deveria afetar a disputa eleitoral em São Paulo.

 

O discurso da ética foi inspirado na campanha eleitoral pelo governo do Estado em 1998, quando o tucano Mário Covas saiu da quarta posição nas pesquisas de intenção de voto para vencer Paulo Maluf (então no PPB) no segundo turno. "O que estava em jogo era o caráter, a história. É isso que podemos fazer com o Serra", explicou no palanque o coordenador da campanha do PSDB, Edson Aparecido.

 

Aliados de Serra pretendem aumentar o nível de "politização" do debate eleitoral para tentar superar Haddad e Russomanno.

 

"Nós não precisamos fazer ginástica para explicar o mensalão ou a aliança com o (Paulo) Maluf", disse o vice de Serra, Alexandre Schneider (PSD), em referência à coligação feita entre o PT e o PP de Maluf.

 

"Essa é uma batalha entre aqueles que acreditam na política e aqueles que não acreditam - que acham que todos são iguais e que é tudo safadeza", defendeu o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Barros Munhoz (PSDB).

 

Serra também insinuou que seus adversários não têm experiência administrativa e disse que uma vitória de um de seus rivais seria um retrocesso. Ele chamou de "desastrosas" as gestões anteriores no município - de Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta e Marta Suplicy. "São Paulo já ficou à deriva. Nós pusemos São Paulo nos eixos", afirmou. "Eu vejo a cidade de madrugada e penso: a gente avançou tanto; não podemos jogar isso fora."

 

Sem citar nomes, o candidato do PSDB também criticou as propostas de parcerias com o governo federal feitas por Haddad, que é do mesmo partido da presidente Dilma Rousseff (PT). "Tem campanha na TV que parece que é candidatura a prefeito de Brasília, porque só se fala de Brasília. Nós temos que andar com nossas próprias pernas e, ao mesmo tempo, temos que evitar a aventura aqui em São Paulo."

 

Os dirigentes do PSDB afirmaram que a eleição municipal deve servir como defesa do "legado" do grupo político tucano no Estado de São Paulo, citando os ex-governadores Mário Covas e Franco Montoro, e o governador Geraldo Alckmin.

 

Diante de militantes e líderes regionais do partido, os líderes tucanos demonstraram confiança de que Serra chegará ao segundo turno e será eleito para a Prefeitura. Atualmente, Serra aparece tecnicamente empatado com Haddad em segundo lugar, atrás de Russomanno. "Chegando ao segundo turno, vamos ganhar. Essas quatro semanas são decisivas", disse Alckmin.

 

União. O evento que reuniu os principais líderes do PSDB foi marcado com o objetivo de reforçar o engajamento da militância tucana na campanha de Serra. O objetivo é recuperar votos na área do centro expandido de São Paulo, onde o desempenho dos candidatos do partido é tradicionalmente melhor.

 

Em seu discurso, o presidente municipal do PSDB paulistano, Julio Semeghini, pediu que os militantes defendam a candidatura de Serra nas ruas e nas redes sociais. "Estamos sendo criticados e acusados de bobagens", afirmou.

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