Serra admite problemas em São Paulo; PT diz que pobre é desprezado

Candidato tucano reconheceu falhas na Saúde; petista mostrou dificuldades na Habitação

Daiene Cardoso, da Agência Estado

23 de outubro de 2012 | 21h54

Faltando cinco dias para o segundo turno das eleições, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, reconheceu, no horário eleitoral na TV da noite desta terça-feira, 23, que a cidade vive problemas nas áreas de saúde, transporte e habitação, mas que vai buscar "soluções inovadoras". "Tenho consciência deles. Eu vou trabalhar para resolvê-los. Foi isso que eu sempre fiz na minha vida", disse o candidato. Fernando Haddad, candidato do PT, acusou a atual gestão de tratar os mais pobres com "desprezo".

O tucano falou das áreas apontadas como deficientes pelo candidato do PT. "Se eu falo de metrô, não quer dizer que eu não estou vendo os problemas dos ônibus. Eu vou começar a resolvê-los no ano que vem, quando termina o contrato que a Marta (Suplicy, ex-prefeita do PT) fez 8 anos atrás", afirmou. O tucano também ponderou sobre as críticas na saúde. "Não quer dizer que o atendimento na saúde esteja uma maravilha não. Ao contrário, faltam médicos, faltam profissionais de saúde", admitiu, dizendo, em seguida, que a situação era pior quando a cidade era administrada pelo "PT de Haddad".

Na sequência, o tucano abordou o tema habitação. "Quando mostro o que fizemos em Paraisópolis, em Heliópolis e outras 70 favelas, não quer dizer que eu não esteja vendo o grave problema da moradia que ainda existe. Eu vejo esse problema. Eu vou resolvê-lo, em vez de ficar só criticando", afirmou. O candidato ressaltou que, se eleito, não será o prefeito apenas da continuidade dos projetos em andamento. "Não pense que eu vou ser prefeito só para continuar o que está andando. Meu estilo é outro: eu sou inquieto, exigente, tenho garra, corro atrás e acelero as coisas", acrescentou o candidato, citando suas realizações e dizendo-se capaz de buscar "soluções inovadoras" para o município.

Além de voltar a defender a manutenção das parcerias com as Organizações Sociais que administram hospitais na cidade, a campanha tucana também explorou o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Eleitoral (STF) e a condenação de líderes do PT. "O Supremo Tribunal Federal acaba de condenar chefes do PT por formação de quadrilha e corrupção. Para o relator, o caso é pior que crime de sangue. (José) Dirceu era chefe da quadrilha e agia no Planalto. Agora é com você: em seu voto você vai dizer de que lado está", disse o narrador.

Já a campanha de Fernando Haddad se concentrou em mostrar as dificuldades na área da habitação, setor que, segundo a campanha, reflete "o desprezo pelos mais pobres" da gestão Serra/(Gilberto)Kassab. "Quatro palavras bastam para definir a principal marca dessa gestão: o desprezo pelos mais pobres. É um desprezo que se manifesta na qualidade dos serviços que a Prefeitura oferece", observou o petista. A propaganda afirmou ainda que as administrações petistas (Luiza Erundina e Marta Suplicy) construíram mais moradias na cidade que o atual governo municipal. "Vamos trazer com muita força o Minha Casa Minha Vida", prometeu o candidato.

Haddad voltou ao tema das parcerias com as Organizações Sociais nos hospitais municipais e acusou seu adversário de "espalhar inverdades" sobre o futuro do convênio da Prefeitura com hospitais particulares. "Repito: nós vamos manter as parcerias", garantiu. No entanto, o candidato afirmou que, se eleito no próximo domingo, 28, vai exigir bom atendimento das unidades conveniadas."Vou cobrar de todas as parcerias, inclusive do (Albert) Einstein e do Sírio (Libanês), mais qualidade no atendimento. Todo mundo sabe que a qualidade de suas conveniadas não é a mesma de seus hospitais", disse o petista, acusando o tucano de usar os hospitais como "vitrine para ocultar as falhas" da rede municipal de saúde.

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