Série de debates prevê mais de quatro horas de confronto direto entre Aécio e Dilma

Primeiro de quatro debates na reta final das eleições ocorre nesta terça-feira (14) e confrontos podem definir o vencedor das eleições

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 07h34

Matéria atualizada às 15h15

São Paulo - Se somadas as vezes em que Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PT) travaram confrontos diretos nos cinco debates do 1.º turno, o tempo não chega à metade do que eles terão disponível para dialogar nesta terça-feira, 14, a partir das 22h15, no primeiro dos quatro encontros até o dia 26. O tucano e a petista trocaram perguntas, respostas, réplicas e tréplicas por 19 minutos até agora. Cada um dos quatro debates do 2º turno prevê mais de uma hora de confronto direto entre Aécio e Dilma.

Ambos os candidatos já estão em São Paulo para o primeiro embate entre petistas e tucanos nesta reta final da campanha. E as duas candidaturas reservaram parte do dia para preparar Dilma e Aécio para o confronto.

As regras do primeiro debate presidencial do 2.º turno, realizado pela TV Bandeirantes, permitirá que, por mais de uma hora, o eleitor testemunhe embates diretos entre os dois concorrentes à presidência da República. Com mais tempo para falar, os candidatos serão obrigados a diversificar o leque de assuntos. No 1.º turno, por causa do tempo limitado oferecido a cada candidato e a presença de outros concorrentes, o embate direto entre Dilma e Aécio foi centrado quase exclusivamente na Petrobrás. Enquanto o tucano citava a investigação sobre desvios de recursos da estatal para atacar a adversária, a petista rebatia com acusações sobre sua tentativa de privatização.

O tema. No primeiro debate, promovido pela Band na noite de 26 de agosto, Dilma e Aécio travaram um duro confronto no quarto bloco. O tucano perguntou se a petista não queria aproveitar a oportunidade para pedir desculpas por "gestão temerária" na Petrobrás. Dilma rebateu afirmando que não foi ela que tentou mudar o nome da estatal para Petrobrax, "porque brax soava melhor aos ouvido ingleses". "Também não conseguimos afundar uma plataforma que custa mais de um bilhão de dólares", contra-atacou.

Uma semana depois, os candidatos se encontraram no debate promovido pelo SBT e novamente a corrupção protagonizou os embates. O tucano ironizou o discurso usado nas propagandas petistas sobre as medidas para combater os casos de ilícitos. "Curiosamente, nenhum deles funcionou", disse. Dilma rebateu com a frase mais usada para responder aos ataques, dizendo que seu governo não tem "engavetador-geral da República".

A provocação. No encontro promovido pela CNBB e exibido por emissoras de inspiração católica, em setembro, a estatal voltou a ser tema de confronto. Numa resposta à pergunta feita pelo pastor Everaldo (PSC) sobre a Petrobrás, Aécio provocou a petista afirmando que "não é possível que o Brasil continue a ser administrado com tanto descompromisso com a ética, com a decência, com os valores cristãos".

Por causa desta afirmação, Dilma pediu e ganhou um minuto de direito de resposta. E quando o exerceu defendeu a apuração de casos de corrupção. "E se hoje se descobre atos de corrupção e ilícitos é porque não varremos a corrupção para debaixo do tapete", complementou.

O rebate. No dia 28 de setembro, Dilma e Aécio se encontraram no debate da Record. Realizado a seis dias da votação e com regras que permitiam duas rodadas de perguntas entre candidatos logo no primeiro bloco, o debate foi tenso. O confronto aconteceu quando, surpreendentemente, a candidata à reeleição escolheu o tucano e fez uma pergunta sobre a Petrobrás - o calcanhar de Aquiles de sua campanha.

"O senhor assumiria o compromisso de não colocar a privatização da Petrobrás no radar?", questionou Dilma. Aécio respondeu que não iria privatizá-la "mas reestatizá-la, tirá-la das mãos desse grupo político", repetiu. A petista rebateu o adversário ao afirmar que combate a corrupção "para fortalecer a Petrobrás". "Tem gente que usa para enfraquecer a Petrobrás. Os senhores (do PSDB) foram favoráveis à privatização, venderam parte das ações a preço de banana."

O escolhido. Na antevéspera da eleição, o debate promovido pela Rede Globo foi aberto com a pergunta sobre os escândalos na Petrobrás, feita pela candidata do PSOL, Luciana Genro, à petista. Naquele momento a segunda colocação na disputa era ocupada pela candidata do PSB, Marina Silva, e, por isso, Dilma optou por focar o debate com Aécio. Em três oportunidades, a petista escolheu o tucano para responder suas perguntas.

Dilma voltou a questioná-lo sobre a privatização da estatal. Aécio preferiu falar a discussão sobre a demissão do ex-diretor da petrolífera. "Fizemos privatizações em setores que eram necessários. No nosso governo, a Petrobrás vai ser devolvida aos brasileiros", disse o tucano.

"Acho estranho que o senhor trate as privatização com tanta leveza a questão das privatizações. Foi no governo do sr que um alto funcionário de um banco publico disse que estavam tratando as privatizações no 'limite da irresponsabilidade'", rebateu Dilma.

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