Seria 'desumanidade' manter no processo Moreira Lima, diz CNJ

Para a corregedora-geral Eliana Calmon, juiz ameaçado por julgar caso de Cachoeira declarou estar 'extenuado'

FELIPE RECONDO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h06

Em reunião com a corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon, o juiz federal Paulo Moreira Lima, que deixou a frente do processo contra o contraventor Carlinhos Cachoeira, confirmou as ameaças veladas que vinha sofrendo e afirmou que não tinha mais condições de permanecer no controle do caso. Calmon pedirá à Polícia Federal que garanta proteção ao magistrado e acompanhe, a partir de agora, o juiz que foi designado para julgar a causa - Alderico Rocha Santos.

Mesmo andando com carro blindado, sob vigilância da PF e armado, o juiz disse a Eliana Calmon que as ameaças o impediam de prosseguir a missão. A situação chegou ao limite, disse ele, quando policiais foram à casa de seus pais dizendo que queriam conversar sobre o processo.

Como o grupo de Cachoeira tinha o auxílio de cerca de 40 agentes, entre policiais civis, federais e militares, a abordagem foi vista pelo magistrado, ex-delegado da PF, como uma "nítida ameaça velada". Seus pais, disse ainda, lhe telefonavam até para saber se podiam ir ao mercado.

"Naturalmente que o juiz deu as razões dele, que se sentia realmente extenuado e gostaria de sair", afirmou a corregedora. Mantê-lo no processo seria um "ato de desumanidade".

Ameaças. Moreira Lima já havia indicado ao CNJ, em março, sua preocupação com ameaças. Afirmou no encontro com a corregedora - de que participaram o ex-corregedor do TRF-1, Cândido Ribeiro, o presidente da Associação de Juízes Federais, Nino Toldo, e o juiz federal Leão Alves - que integrantes do grupo sabiam da existência da operação e se movimentavam para minar as investigações.

Um dos aliados de Cachoeira, Olímpio Queiroga, foi flagrado em conversa telefônica tratando da operação antes de deflagrada. Queiroga, ressaltou o magistrado, "é mencionado em dez inquéritos policiais devido a crimes diversos, é acusado de homicídio, tem quatro armas registradas em seu nome, além de ter sido citado na CPI do Narcotráfico".

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