Sereias lusitanas

Na atual crise, Portugal deveria abandonar a União Europeia e se unir ao Brasil de papel passado na República Federativa Brasil-Portugal, revertendo o formato colonial. Cada um tocaria sua vida soberanamente, mas eles teriam acesso a nosso mercado continental - e parte do território brasileiro seria na Europa. A sugestão é de um ex-ministro português, um querido amigo muito inteligente e culto, e mestre da ironia.

Nelson Motta, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h49

Piada de português, ou de brasileiro, rimos muito com essa revolução geopolítica tão louca que poderia até dar certo. Mas o fato é que nem sequer conhecemos o fado de hoje - como os portugueses conhecem o samba e a MPB de sempre. Em 2013, a metáfora da integração será o Ano de Portugal no Brasil simultâneo ao do Brasil em Portugal, para aproximar as nossas culturas, ciências, tecnologias, economias e esportes.

Eles já conhecem o melhor, e o pior, da nossa música, e já entendem o brasileiro falado nas novelas. Mas nós ainda desconhecemos grandes artistas portugueses e temos dificuldades com a língua cantada.

Menos mal que o sensacional Buraka Som Sistema, afro-lusitano, arrebentou no Rock in Rio, onde também brilhou o guitarrista e bluesman Rui Veloso. E o kuduro angolano virou febre em Avenida Brasil.

Nos últimos tempos a jovem fadista Carminho e o excelente António Zambujo têm se apresentado com muito sucesso no Rio e em São Paulo. A maravilhosa Ana Moura brilhou no CD dos 70 anos de Caetano Veloso cantando uma arrepiante Janelas Abertas.

Aos poucos, os brasileiros começam a conhecer as novas cantoras portuguesas, com um pé na tradição e outro no moderno, e uma característica em comum: são mulheres muito bonitas, como Cristina Branco e Cuca Roseta, uma das estrelas do filme Fados, de Carlos Saura. Confira no YouTube. Nunca mais você vai falar em portuguesa bigoduda.

Assim como Caetano já cantou Coimbra em português, e eles amaram, nesse ano de encontros, adoraria ouvir essas novas fadistas cantando clássicos da nossa música, em brasileiro, como já fez a cultuada Teresa Salgueiro, com um sotaquezinho quase imperceptível, que lhe deu ainda mais charme.

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