'Serei uma peça a mais na comissão'

Autor da reportagem publicada em novembro de 1978 pela revista Veja que revelou o sequestro dos uruguaios Universindo Diaz e Lilian Celiberti, o jornalista Luiz Cláudio Cunha passa a integrar a Comissão da Verdade na parte que vai investigar a participação do Brasil na Operação Condor. Por causa da reportagem, a vida de Diaz e a de Lilian foram poupadas. São os dois únicos casos conhecidos de pessoas sequestradas na Operação Condor que ficaram vivas. Diaz morreu no início deste mês de câncer.

Entrevista com

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h21

Como será sua atuação na Comissão da Verdade?

Fui convidado para ser consultor sobre as questões que envolvem a Operação Condor. Serei apenas uma peça a mais, pelo conhecimento que tenho. Posso agregar informações e trazer para a comissão, que tem um poder de fogo muito forte. Ela tem poderes legais de abrir todos os arquivos, sejam públicos ou secretos. Ninguém pode negar a ela nenhuma informação. Se algo é secreto, pode ser secreto para outros, não para a Comissão da Verdade.

Como será o exame desses arquivos?

Nós vamos fazer um roteiro de trabalho, ver as conexões do Brasil com os países do Cone Sul no caso da Operação Condor, verificar documentos do Arquivo Nacional, do Centro de Informações do Exército, do extinto Serviço Nacional de Informações, pedir informações a embaixadas. O fundamental é achar um foco. / J.D.

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